Gonçalo Mendes da Maia

Gonçalo Mendes da Maia (c. 1075 – Beja, Julho de 1170), cognominado O Lidador pela sua destreza com a espada, foi um dos mais fiéis companheiros de D. Afonso Henriques na construção do reino de Portugal. Natural da Maia (hoje Grande Porto), morreu em batalha perto de Beja no que a lenda fixou como o dia do seu 95.º aniversário.

Percurso

Cavaleiro desde os 25 anos; esteve permanentemente ao lado de D. Afonso Henriques nas guerras contra a mãe D. Teresa (demasiado próxima de Castela), contra a hegemonia religiosa e contra os Mouros do sul. Guiado pelos valores da lealdade, patriotismo e honra. Exerceu o cargo de fronteiro-mor do Alentejo com sede no Castelo de Beja.

A morte em Beja (Julho de 1170)

Segundo Alexandre Herculano (A Morte do Lidador, in Lendas e Narrativas): no dia do seu 95.º aniversário, estando em Beja, o Lidador ordenou que lhe arreassem o ginete murzelo e preparassem o lorigão de malha de ferro e a espada toledana. Partiu com 30 fidalgos, 40 cavaleiros e 300 homens d’armas rumo a Sul. Em combate, derrotou o capitão árabe Almoleimar, mas foi ferido gravemente (lança destruiu ossos e carnes do ombro esquerdo). Os pajens levaram-no de volta a Beja; ele regressou ao campo de batalha, foi derrubado mas os portugueses venceram. Os sobreviventes voltaram a Beja.

Grito lendário depois de abater Almoleimar:

“Perro maldito! Sabe lá no inferno que a espada de Gonçalo Mendes é mais rija que a sua cervilheira!”1

Iconografia em Beja

  • Painel de azulejos de Jorge Colaço (1940), no Jardim Gago Coutinho e Sacadura Cabral, inserido em monumento com elementos copiados da Ermida de Santo André; retrata A Morte do Lidador. Assinado por Colaço em 1940.
  • Estátua de 5 metros em mármore de Júlio Vaz Júnior (1877–1963), no mesmo Jardim. O molde em gesso está na primeira sala do Castelo de Beja.1

Ver também Largo do Lidador.

Fontes

Tags

militar medieval

Footnotes

  1. O Lidador e O Sem Pavor (Bruno Ferreira, O Atual, 2023-2024) 2