Geraldo Sem Pavor

Guerreiro da Reconquista cristã do Garb al-Andalus (séc. XII), célebre pelas suas investidas contra as cidades muçulmanas do sul. Natural do norte de Portugal, proscrito por uma série de delitos, ofereceu o seu bando de mercenários a D. Afonso Henriques para conquistar Évora e outras praças do sul. Actuou por interesse próprio — saqueando e enganando mouros e cristãos — e em determinada fase chegou a estar ao serviço dos árabes. Morreu às mãos dos Mouros em Ceuta numa missão de espionagem ao serviço de D. Afonso Henriques.1

Atacou Beja repetidamente: em 1162 (recuperou-a por cerca de 4 meses, destruiu as muralhas e abandonou-a), em 1172 e 1178. A facilidade dessas investidas revela a falta de investimento almóada na defesa de Beja. A cidade só foi definitivamente conquistada nos anos 1230.

Ver Reconquista de Beja · Beja Muçulmana.

Estatuária em Évora: estátua de 2 metros representa Geraldo com uma espada numa mão e segurando pelo cabelo a cabeça decepada de um africano (o vigia árabe que enganou para conquistar o castelo eborense em 1165); no chão jaz outra cabeça (a filha do vigia). A imagem da decapitação do vigia ocupa posição central no brasão de Évora.1

Contrasta com Gonçalo Mendes da Maia (O Lidador), que Bruno Ferreira caracteriza como herói ético oposto ao oportunismo de Geraldo.

Fontes

Tags

militar

Footnotes

  1. O Lidador e O Sem Pavor (Bruno Ferreira, O Atual, 2023-2024) 2 3

  2. Materiais Islâmicos do Sítio da Rua do Sembrano (Helena Casmarrinha)