O Lidador e O Sem Pavor (Bruno Ferreira, O Atual, 2023–2024)
Artigo de análise histórica comparativa entre Gonçalo Mendes da Maia (O Lidador) e Geraldo Geraldes (O Sem Pavor) — dois guerreiros do séc. XII ligados à formação de Portugal e à Reconquista do sul. O artigo defende que o Lidador foi um herói ético (lealdade, patriotismo, honra), enquanto Geraldo foi um mercenário oportunista, apesar de ambos serem celebrados na iconografia das suas cidades.
Gonçalo Mendes da Maia — ligação a Beja
- Fronteiro-mor do Alentejo; cavaleiro desde os 25 anos; permanentemente ao lado de D. Afonso Henriques.
- Em Julho de 1170, estando em Beja no cargo de fronteiro-mor, no dia do seu 95.º aniversário (segundo Alexandre Herculano, A Morte do Lidador, “Lendas e Narrativas”), partiu do Castelo de Beja rumo ao sul com 30 fidalgos, 40 cavaleiros e 300 homens d’armas, escudeiros e pajens.
- Derrotou o capitão árabe Almoleimar, mas foi ferido (lança destruiu ossos e carnes do ombro esquerdo). Os pajens levaram-no de volta a Beja.
- Regressou ao combate; foi derrubado por um sarraceno mas os portugueses venceram; os sobreviventes voltaram a Beja.
- Grito lendário após abater Almoleimar: “Perro maldito! Sabe lá no inferno que a espada de Gonçalo Mendes é mais rija que a sua cervilheira!”1
Iconografia em Beja:
- Painel de azulejos de Jorge Colaço (1940), no Jardim Gago Coutinho e Sacadura Cabral, inserido em monumento com elementos da Ermida de Santo André; retrata A Morte do Lidador.
- Estátua de 5 metros em mármore de Júlio Vaz Júnior (1877–1963), no mesmo Jardim; o molde em gesso está na primeira sala do Castelo de Beja.1
Geraldo Sem Pavor
- Homem do norte de Portugal que cometeu uma série de delitos e, proscrito, ofereceu o seu bando de mercenários a D. Afonso Henriques para conquistar Évora e outras localidades.
- Viveu de falsas alianças, enganando mouros e cristãos; em determinada fase esteve ao serviço dos árabes.
- Conquistou Beja e outras praças, mas por saque e proveito próprio, não por patriotismo.
- Estatua em Évora: 2 metros, representa Geraldo com uma espada numa mão e segurando pelo cabelo a cabeça decepada de um africano (o vigia árabe); no chão jaz outra cabeça (a filha do vigia) — episódio do castelo eborense de 1165. A imagem da decapitação ocupa posição central no brasão de Évora.1
- Morreu às mãos dos Mouros em Ceuta, numa missão de espionagem ao serviço de D. Afonso Henriques.
Fontes citadas
- Alexandre Herculano, A Morte do Lidador (in Lendas e Narrativas)
- Antóno Gomes de Almeida & Artur Correia, Super-Heróis da História de Portugal (Bertrand)
- Fernando Campos, O Cavaleiro da Águia (Difel, Abril 2005) — romance histórico sobre Gonçalo Mendes da Maia
- Maria José Meireles, Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador Destemido Cavaleiro de D. Afonso Henriques (Campo das Letras, Jul. 2007)
Como citar
Ferreira, B. (2023–2024). O Lidador e O Sem Pavor. O Atual — Informação de Verdade. https://oatual.pt [artigo de divulgação]
Fontes relacionadas
- Geraldo Sem Pavor
- Gonçalo Mendes da Maia
- Castelo de Beja — onde estava o fronteiro-mor
- Jardim Gago Coutinho e Sacadura Cabral — onde está a estátua e o painel de azulejos