Villae de Pisões
Villa romana no território de Pax Iulia, no sítio de Pisões, freguesia do Penedo Gordo, concelho de Beja. A bibliografia situa o núcleo conhecido na Herdade de Algramaça, integrada no conjunto das Herdades de Almocreva. Um artigo publicado em 2007 localiza na Herdade do Almocreva uma intervenção periférica cuja data exacta não é indicada.1 O estabelecimento esteve ocupado até ao fim do século IV d.C.
Epígrafes
- IRCP 287: inscrição votiva a Atégina (divindade indígena) por dois indígenas - proveniente deste local2
- IRCP 290: inscrição a Salus; escravo invoca a divindade em favor de Gaio Atílio Cordo (provavelmente o proprietário desta villa)2
- FE 801: pequeno bloco de calcário com seis sinais, encontrado à superfície em 1997. A função de etiqueta, a leitura PISTOR e a possível relação paleocristã são hipóteses sem confirmação.3
Descoberta (1964)
Descoberta em 1964 (não 1967) durante trabalhos agrários com subsoladora - o nome “Pisões” deriva de três pisões hidráulicos encontrados no local. Primeiro relato por Fernando Nunes Ribeiro ao Correio de Notícias (publicado em 1967, daí a confusão de datas frequente nas fontes).4
Dimensões e arquitectura
48 divisões identificadas; conjunto de grande complexidade:5
- Paredes revestidas de mármore; dois tipos de mosaicos (opus signinum e geométrico em branco, azul-escuro e vermelho)
- Piscina de 40 m × 8,30 m com candelabros para iluminação nocturna e pista de corrida para jogos de velocidade
- Complexo termal (spa privado do proprietário)
- Pesos de lagar de azeite; galeria subterrânea com sala de arcos
- 4 estruturas funerárias
- Moeda de Teodósio determinou a ocupação até ao séc. IV d.C.
Área periférica
Uma estrutura arqueológica apareceu durante a abertura de uma vala de electrificação, a cerca de 100 m do núcleo central conhecido. Conservava um muro com uma fiada exterior de tijolos e outra interior de xisto, um possível piso de circulação e materiais de construção provenientes do derrube de uma cobertura.1
A atribuição à época romana é provável, mas os materiais foram recolhidos em aterros. A estrutura periférica poderá indicar uma extensão maior da villa, uma dependência da pars rustica ou da pars frumentaria, ou uma ocupação anterior ao século I. Estas interpretações não foram confirmadas por escavação.1
Sistema hidráulico
Pisões possuía uma rede de água complexa, formada pela barragem, pelo canal de abastecimento, por poços, colectores, condutas, lagos de fontes, esgotos, piscinas, uma grande natatio, termas e canalizações de chumbo. Outro troço do canal foi identificado perto do acesso à barragem, com a abóbada muito danificada e infiltração de água.1
Protecção e investigação
- Decreto n.º 251/70 (DG 1.ª série, n.º 129, 3 Jun 1970): classificação como Imóvel de Interesse Público
- Escavações 1967-1979: dirigidas por Fernando Nunes Ribeiro com José Lança Soares, Rui Parreira e Lopes Sardica; 1981: Pedro Barbosa; 2001: projecto de valorização pelo Arq. José Teixeira
- Protocolos de investigação com a Câmara Municipal de Beja: Agosto de 2017 e Maio de 2022
- Responsável científico actual: André Carneiro (Universidade de Évora)
Fontes
- A Cidade Romana de Beja (M. Conceição Lopes) - cap. 5 (sociedade e cultos)
- Villae de Pisões - Notícia de Descoberta (O Arqueólogo Português, 1967)4
- Villa Romana de Pisões - Uma Beja pouco Romana (Bruno Ferreira, O Atual, 2023-2024)5
- Villa Romana de Pisões (Isabel Mendonça, 1993) - IPA, protecção, arqueologia, hipocausto6
- Pedrinha com Inscrição da Villa de Pisões (D’Encarnação e Lopes, 2022)3
- Novos Dados para o Conhecimento da Villa Romana de Pisões (Miguel Serra, 2007)1
Tags
Água Arqueologia Mundo rural Romano
Notas
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Novos Dados para o Conhecimento da Villa Romana de Pisões (Miguel Serra, 2007) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
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Pedrinha com Inscrição da Villa de Pisões (D’Encarnação e Lopes, 2022) ↩ ↩2
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Villae de Pisões - Notícia de Descoberta (O Arqueólogo Português, 1967) ↩ ↩2
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Villa Romana de Pisões - Uma Beja pouco Romana (Bruno Ferreira, O Atual, 2023-2024) ↩ ↩2