Necrópole de Palhais
Necrópole da I Idade do Ferro situada perto de Beringel, cerca de 13 km a nordeste de Beja. Foi identificada em 2008 quando a abertura de uma vala do Bloco de Rega do Pisão expôs estruturas escavadas no substrato. A intervenção de emergência incidiu apenas na faixa afectada e não determinou a extensão total do sítio.1
Arquitectura funerária
O espaço incluía recintos delimitados por estruturas ortogonais escavadas na rocha. O Recinto 1 teria planta provavelmente subquadrangular ou subrectangular e media 7,20 m entre os limites internos dos troços oeste e este. Um segundo troço poderá ter pertencido a outro recinto adossado.1
Foram escavadas três sepulturas de inumação, orientadas de oeste para este, e identificada a possível extremidade de uma quarta. As sepulturas 1 e 2 cortaram enchimentos ou troços dos recintos, demonstrando que foram abertas depois da sua colmatação.1
Inumações
Duas sepulturas continham mulheres adultas em posição flectida:1
- A sepultura 1 conservava 438 contas anelares e uma conta fusiforme, fíbula de tipo Alcores, pequeno punhal de ferro e um conjunto de toucador de bronze.
- A sepultura 2 tinha contas de pasta vítrea, faiança e prata, um pendente de prata em forma de bolota, um pendente cerâmico, o Escaravelho de Amon-Ré de Palhais, fecho de cinturão, faca de ferro e outro conjunto de toucador.
A sepultura 4 continha um adulto de sexo indeterminado e foi perturbada numa época desconhecida. Uma ponta de lança poderá ter pertencido ao espólio original; a associação de uma pequena taça a um possível incensário permanece incerta.1
Estrutura ritual
A Estrutura 3 da Necrópole de Palhais foi publicada preliminarmente como sepultura de incineração. O tratamento laboratorial demonstrou, porém, que os recipientes não continham ossos nem cinzas. Não há actualmente base para afirmar a existência de incineração na área escavada.1
O conjunto incluía vasos pintados à chardon e um recipiente de pé elevado coroado por aves modeladas. A estrutura poderá ter servido práticas rituais ou votivas, mas a sua função exacta é desconhecida.1
Cronologia e contactos
Na ausência de datações absolutas, a utilização documentada é situada cautelosamente entre meados do século VI e meados do século V a.C. Os objectos pessoais e a cerâmica revelam relações com repertórios orientalizantes da Baixa Andaluzia e da Estremadura espanhola, combinadas com produções regionais.1
Os bronzes apresentam baixo teor de estanho e foram trabalhados por martelagem e recozimento. A composição aproxima-os da metalurgia orientalizante, embora possam ter sido fabricados localmente a partir de modelos mediterrânicos.2
Fontes
- A Necrópole de Palhais (Santos et al., 2016)1
- Necrópole de Palhais - Resultados Preliminares (Santos et al., 2009)
- Espólio Metálico da Necrópole de Palhais (Valério et al., 2013)2
- Palhais - Entrada do DECF (Santos e Antunes, 2016)
- Ensaio sobre a Região de Beja em torno do Ano Mil a.C. (Raquel Vilaça)