Espólio Metálico da Necrópole de Palhais (Valério et al., 2013)
Estudo arqueometalúrgico de Pedro Valério, António M. Monge Soares, Maria Fátima Araújo, Rui J. C. Silva e Filipe J. C. Santos sobre os objectos metálicos encontrados nas sepulturas 1 e 2 da Necrópole de Palhais. O artigo analisa a composição, o fabrico e o lugar destes artefactos na transformação da metalurgia do sul de Portugal durante a I Idade do Ferro.
Conjunto analisado
O espólio inclui dois conjuntos de toucador, uma fíbula de tipo Alcores, um fecho de cinturão, contas e um pendente de prata, além de duas facas ou pequenos punhais de ferro. A tipologia e a decoração da fíbula, do fecho e dos conjuntos de toucador revelam modelos orientalizantes.
Foram aplicadas fluorescência de raios X, microfluorescência de raios X, microscopia electrónica, microscopia óptica e ensaios de microdureza. A estratégia combinou análises não destrutivas com amostras microscópicas retiradas apenas de alguns objectos já fracturados.
Composição dos bronzes
Os objectos de liga de cobre são bronzes com baixo teor médio de estanho, 4,4 ± 2,4%, variando aproximadamente entre 2,0% e 8,3%. Este perfil aproxima Palhais da metalurgia orientalizante da Quinta do Almaraz, cujo valor médio era 5,4 ± 2,0%, e afasta-o das colecções indígenas do Bronze Final e do início da Idade do Ferro no sul de Portugal, que rondavam 10% de estanho.
Os autores admitem duas explicações que não podem ser distinguidas com segurança: refundição de sucata de bronze, com perda progressiva de estanho, ou adição deliberada de pouco estanho por razões económicas, tecnológicas ou cromáticas. A hipótese de falta regional de estanho é considerada improvável.
Fabrico e utilização
As microestruturas revelam ciclos de martelagem e recozimento após a fundição. O acabamento cuidado exigiu controlo técnico e esforço considerável, apesar do baixo teor de estanho. Os autores concluem que os objectos não foram fabricados apenas para a deposição funerária: eram utensílios funcionais, provavelmente usados em vida pelas mulheres sepultadas.
Metalurgia orientalizante
Palhais constitui, segundo o artigo, o primeiro testemunho estudado da chegada da metalurgia orientalizante do bronze ao interior do sul de Portugal. Os tipos pouco comuns e a associação a contas de vidro e outros materiais mediterrânicos demonstram contactos de longa distância, mas a composição dos metais é compatível com a produção regional contemporânea. Assim, os objectos podem ser cópias locais de modelos estrangeiros, e não necessariamente importações acabadas.
O estudo insere estes resultados numa diversificação mais ampla das ligas e dos métodos de produção durante a I Idade do Ferro: co-redução de minérios, cementação, liga de metais e refundição de sucata. Esta interpretação permanece dependente de novos estudos de escórias e contextos bem datados.
Entidades mencionadas
- Pessoas: Pedro Valério · António M. Monge Soares · Maria Fátima Araújo · Rui J. C. Silva · Filipe J. C. Santos
- Locais: Necrópole de Palhais · Beringel · Castro dos Ratinhos · Baleizão
- Temas: Metalurgia Orientalizante no Sul de Portugal · Necrópoles da Idade do Ferro de Beja
Documentos relacionados
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- Necrópole de Palhais - Resultados Preliminares (Santos et al., 2009) - primeira publicação da escavação.
Como citar
Valério, Pedro, Soares, António M. Monge, Araújo, Maria Fátima, Silva, Rui J. C., & Santos, Filipe J. C. (2013). The distinctive grave goods from Palhais (Beja, Portugal): New insights into the metallurgical evolution under Orientalizing influence in the southwestern end of Iberia. Trabajos de Prehistoria, 70(2), 361-371. https://doi.org/10.3989/tp.2013.12119