Necrópole de Palhais - Resultados Preliminares (Santos et al., 2009)
Primeira publicação extensa da intervenção arqueológica de emergência realizada em 2008 na Necrópole de Palhais, junto a Beringel. Filipe J. C. Santos, Ana Sofia Antunes, Carolina Grilo e Manuela de Deus apresentam a área escavada, as inumações, os recintos delimitados por fossos e o conjunto artefactual, advertindo que o estudo ainda se encontrava em curso.
Descoberta e intervenção
A abertura mecânica de uma vala do Bloco de Rega do Pisão expôs cinco estruturas negativas e removeu parte dos contextos. A intervenção arqueológica ficou limitada à faixa afectada pela obra, pelo que não revelou a extensão total da necrópole nem a planta completa dos recintos.
Foram escavadas três sepulturas de inumação em fossas simples, orientadas de oeste para este, e identificados troços de estruturas ortogonais escavadas no substrato. Os autores propuseram que estes troços delimitassem um ou mais recintos funerários subquadrangulares.
Inumações e objectos pessoais
Duas sepulturas continham mulheres adultas em posição flectida. A sepultura 1 conservava um colar de centenas de contas, uma fíbula de tipo Alcores, uma pequena arma de ferro e um conjunto de toucador de bronze. A sepultura 2 continha contas de pasta vítrea, faiança e prata, um pendente de prata em forma de bolota, um pendente cerâmico, o Escaravelho de Amon-Ré de Palhais, um fecho de cinturão, uma faca de ferro e outro conjunto de toucador.
Os autores relacionaram a fíbula, o fecho de cinturão, o escaravelho, as contas e outros elementos com redes e repertórios orientalizantes do sul da Península Ibérica. Os conjuntos de toucador eram então inéditos no registo proto-histórico português.
Cerâmica e interpretação preliminar
Uma cavidade com nicho lateral continha um vaso à chardon tapado e outros recipientes pintados, incluindo um vaso de pé elevado coroado por aves modeladas. Nesta fase, a estrutura foi publicada como sepultura de incineração. A ausência de vestígios osteológicos ainda não tinha sido estabelecida pelo trabalho laboratorial posterior.
A revisão integral de 2016 demonstrou que nenhum dos recipientes conservava ossos ou cinzas e passou a designar o contexto como Estrutura 3 da Necrópole de Palhais, de provável função ritual. Por isso, a hipótese de incineração desta publicação não deve ser tratada como resultado definitivo.
Cronologia preliminar
Com base nos paralelos tipológicos então disponíveis, o artigo propôs inicialmente uma cronologia centrada nos séculos VII-VI a.C. O estudo de 2016 reviu este enquadramento para um intervalo global entre meados do século VI e meados do século V a.C., na ausência de datações absolutas.
Entidades mencionadas
- Pessoas: Filipe J. C. Santos · Ana Sofia Antunes · Carolina Grilo · Manuela de Deus
- Locais: Necrópole de Palhais · Beringel · Recintos Funerários da Necrópole de Palhais · Estrutura 3 da Necrópole de Palhais
- Temas e objectos: Necrópoles da Idade do Ferro de Beja · Escaravelho de Amon-Ré de Palhais · Conjuntos de Toucador da Necrópole de Palhais
Documentos relacionados
- A Necrópole de Palhais (Santos et al., 2016) - revisão dos dados e das interpretações preliminares.
- Espólio Metálico da Necrópole de Palhais (Valério et al., 2013) - estudo arqueometalúrgico dos objectos de bronze.
- Palhais - Entrada do DECF (Santos e Antunes, 2016) - síntese enciclopédica.
Como citar
Santos, Filipe J. C., Antunes, Ana Sofia, Grilo, Carolina, & Deus, Manuela de (2009). A necrópole da I Idade do Ferro de Palhais (Beringel, Beja): resultados preliminares de uma intervenção de emergência no Baixo-Alentejo. IV Encuentro de Arqueología del Suroeste Peninsular, pp. 756-789. Huelva.