Ermida de Santo André
Ermida tardo-gótica / mudéjar situada na EN 121, junto a uma das entradas de Beja, implantada em afloramento rochoso num largo arborizado próximo de uma das rotundas de acesso à cidade. Actualmente devoluta, com processo de cessão à CMB em curso.1
Arquitectura
Planta longitudinal: galilé + nave + capela-mor. Galilé com arcadas em arco redondo nas 3 faces, contrafortes cilíndricos com pináculos cónicos e merlões chanfrados, abóbada de cruzaria de ogivas sobre mísulas. Nave com abóbada de berço quebrado e arcos torais; arco triunfal quebrado. Capela-mor com abóbada de cruzaria de ogivas e paredes totalmente revestidas a azulejos de padrão polícromo seiscentista (maçaroca).
Retábulo-mor e pinturas murais
O retábulo-mor maneirista de madeira — tripartido por 4 colunas de fustes estriados fingindo mármore — é excepcional por integrar painéis de pintura mural manuelina reaproveitados:
- Centro: nicho de volta perfeita com baldaquino (sol no interior).
- Lados: pinturas murais com cena do martírio de Santo André e cena do Calvário.
- Frontal da mesa: pinturas murais com adamascado a ouro e 2 anjos-tenentes amparando o escudo nacional sobre esfera armilar.1
O sotobanco tem azulejos e nichos fechados por portadas de madeira.
Azulejos de Santa Clara
Em 1852/1853 a câmara mandou aplicar no interior azulejos provenientes do demolido Convento de Santa Clara.1
Cronologia
- Séc. XVI, inícios — provável construção; a tradição situa neste local um primitivo edifício fundado por D. Sancho I em comemoração da 1.ª conquista de Beja (1162); junto à ermida existiu uma gafaria1
- Séc. XVII — azulejos seiscentistas da capela-mor (maçaroca); retábulo-mor reaproveitando as pinturas murais quinhentistas
- 1852/1853 — azulejos do demolido Convento de Santa Clara aplicados no interior1
- 1939 — serviu o Cemitério Municipal como capelinha mortuária
- 1994 — imagem estofada do padroeiro ainda existia no nicho central
Fontes
- Ermida de Santo André (Isabel Mendonça, 1994) — IPA, arquitectura, retábulo, cronologia1