Ermida de Santo André (Isabel Mendonça, 1994)
Ficha de inventário do SIPA/IHRU para a Ermida de Santo André, situada na EN 121 junto a uma das entradas de Beja.
Classificação e acesso
- Monumento Nacional (Decreto de 16 Jun 1910, DG n.º 136, 23 Jun 1910)
- ZEP (Portaria, DG 2.ª série, n.º 82, 6 Abr 1961)
- EN 121, junto a rotunda de um dos principais acessos rodoviários da cidade; implanta-se em afloramento rochoso num largo arborizado
Arquitectura
Planta longitudinal: nave rectangular + capela-mor quadrada + galilé. Tardo-gótico / Mudéjar, com paralelos tipológicos na Ermida de S. Brás de Évora.
Galilé: rasgada por arcos redondos nas 3 faces; contrafortes cilíndricos coroados por merlões chanfrados; abóbada de cruzaria de ogivas sobre mísulas no interior; sineira assente sobre a empena.
Nave: abóbada de berço quebrado com arcos torais sobre mísulas; arco triunfal quebrado sobre pilastras.
Capela-mor: abóbada de cruzaria de ogivas; paredes totalmente revestidas a azulejos de padrão polícromo seiscentista (maçaroca).
Retábulo-mor
Retábulo de madeira, maneirista, de planta recta e estrutura tripartida definida por 4 colunas de fustes estriados e pintados fingindo mármore. Integra painéis de pintura mural manuelina:
- No corpo: nicho de volta perfeita com baldaquino decorado interiormente por um sol; lados com pinturas murais representando cena do martírio de Santo André e cena do Calvário.
- Ático: tabela rectangular com colunas, repetindo o esquema central, rematado por frontão triangular.
- Sotobanco: revestido a azulejo com 2 nichos fechados por portadas de madeira.
- Frontal da mesa: pinturas murais imitando adamascado a ouro com 2 anjos-tenentes amparando o escudo nacional sobre esfera armilar.
Cronologia
- Séc. XVI, inícios — provável construção no local onde a tradição situa um primitivo edifício fundado por D. Sancho I em comemoração da 1.ª conquista de Beja (1162); junto à ermida existiu uma gafaria
- Séc. XVI — realização das pinturas murais manuelinas e do retábulo
- Séc. XVII — execução dos azulejos da capela-mor (maçaroca); retábulo-mor aproveitando as pinturas murais quinhentistas
- 1852/1853 — a câmara mandou aplicar no interior azulejos procedentes do demolido Convento de Santa Clara
- 1939 — a ermida serviu o vizinho Cemitério Municipal como capelinha mortuária
- 1994 — ainda existia no nicho central a imagem estofada do padroeiro
Estado actual: devoluta; propriedade estatal (CMB com processo de cessão em curso).
Entidades mencionadas
Locais: Ermida de Santo André · Convento de Santa Clara · Cemitério Municipal
Pessoas: D. Sancho I
Como citar
Mendonça, Isabel; Gordalina, Rosário (1994/2006). Ermida de Santo André [Ficha de inventário SIPA IPA.00000996]. SIPA/IHRU.