As Fivelas Visigóticas de Beja (Andreia Arezes, 2017)

Capítulo de Andreia Arezes sobre as placas de cinturão (fivelas) da Alta Idade Média em território português (séc. V-VIII). Esta nota extrai apenas o “conjunto de Beja” — um achado de adornos da época das migrações de grande raridade. (Volume colectivo da IUC, 2017.)

💎 As peças de Beja são das mais antigas e excepcionais deste tipo em Portugal — ouro com decoração cloisonné (granadas), da “moda danubiana” do séc. V, distintas das fivelas visigóticas comuns dos séc. VI-VII.


O conjunto de Beja

  • Dois exemplares principais de fivelas/placas de cinturão em ouro, com decoração policroma cloisonné (granadas recortadas engastadas em células soldadas — técnica de grande prestígio, reservada a peças áureas)
  • Inserem-se na “moda danubiana” (cultura aristocrática guerreira de raiz huna / alano-sármata / germânica, do Danúbio Médio), difundida sobretudo nos finais do séc. IV e no séc. V com as movimentações populacionais
  • Datação precoce (séc. V): afastam-se claramente das placas visigóticas mais comuns dos séc. VI-VII (tipo Meseta Castelhana, como o exemplar de Conimbriga, c. 525-580)
  • No quadro português, o grupo com incrustações é o de expressão mais reduzida — para além de Beja, só um anel áureo de Beiral do Lima (Ponte de Lima)

Significado histórico

A autora levanta a hipótese de a sepultura de Beja se relacionar com as incursões dos Suevos na Lusitânia em meados do séc. V: sob o comando de Réquila, os Suevos devastaram a Baetica e cidades lusitanas como Myrtilis (Mértola) e Emerita Augusta (Mérida, então convertida em capital do Regnum). As fivelas testemunhariam a presença de uma elite guerreira de ascendência oriental/germânica em Pax Iulia no período de transição romano-visigótico.


Entidades mencionadas

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Como citar

Referência (APA): Arezes, Andreia (2017). Do cloisonné ao liriforme. Diacronias de um adorno de vestuário na Alta Idade Média. In C. Teixeira & A. Carneiro (Coords.), Arqueologia da Transição: entre o Mundo Romano e a Idade Média. Imprensa da Universidade de Coimbra.

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visigotico arqueologia necropole beja