A Filial da Caixa Geral de Depósitos de Beja (Arquitectura da CGDCP)

Capítulo dedicado à Filial da Caixa Geral de Depósitos de Beja no estudo histórico sobre a arquitectura das filiais e agências da CGDCP. Esta nota extrai só o conteúdo de Beja: a saga da instalação do banco, desde a ocupação polémica de uma capela (1923) até à construção do edifício definitivo (1962).


A instalação primitiva — a Capela do Rosário (1923-1949)

  • A filial abriu ao público a 9 de Abril de 1923, instalada na Capela de Nossa Senhora do Rosário — capela em mau estado, contígua à Igreja de Santa Maria —, cedida à CGD ao abrigo da Lei da Separação (Decreto n.º 6677, 1920) por 2 000$00, com obrigação de conservar os azulejos de valor artístico
  • A cedência de um edifício religioso a um banco gerou forte polémica pública (várias vezes na imprensa)
  • Um primeiro projecto de remodelação foi do arquitecto Porfírio Pardal Monteiro (déc. 1920)
  • A 13 de Junho de 1949 a CGD devolveu a capela ao Estado

A longa saga do edifício novo (1940-1962)

Um processo arrastado por mais de 20 anos, com vários arquitectos e projectos não concretizados:

  • Luís Cristino da Silva (convidado 1940; projecto 1941) — propunha um sistema construtivo “muito usado no Alentejo” (abóbadas e contrafortes em vez de betão armado), grades de ferro batido “inspiradas em motivos da região”
  • Conflito sobre a localização com a Câmara e com o plano de urbanização de Beja (o terreno comprado, da antiga Creche Coronel Sousa Tavares, foi destinado a praça pública)
  • Cândido Palma Teixeira de Melo (projecto 1956) — contrato rescindido por não satisfazer
  • Francisco Augusto Baptista — o arquitecto do projecto definitivo (1957-59); edifício concluído em 1962

O edifício e o seu lugar

  • Implantado junto a uma das Torres das Portas de Mértola (Monumento Nacional) e ao lanço de muralha — o projecto deveria valorizar o monumento, libertando a torre para ser visível de todo o largo
  • Fachada principal virada às Portas de Mértola (entrada) + alçado para a Rua Jacinto Freire de Andrade; revestimento de granito — a Câmara sugeriu substituí-lo por calcário de São Brissos (em vez do granito de Serpa)
  • Fronteiro ao moderno edifício do Banco de Portugal, no ponto mais movimentado e comercial da cidade
  • A demora foi alvo de críticas na imprensa local (Diário do Alentejo: “E a Caixa?”, 1954; “Silêncio absoluto”, 1955) e de pressão do governador civil António Marques Fragoso

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Como citar

Referência (APA): Caixa Geral de Depósitos (s.d.). Arquitectura da CGDCP – Filiais e Agências da Caixa Geral de Depósitos, Crédito e Previdência [1929-1970].

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