Maria Concebida sem Pecado Original — As Lápides de 1619 (Leonel Borrela)
Artigo de Leonel Borrela (Diário do Alentejo, 6 de Outubro de 2006) que interpreta as lápides marmóreas de 1619 da cidade no contexto europeu da Reforma e do início da Guerra dos Trinta Anos.
Contexto europeu
- A partir do séc. XVI, a Europa divide-se entre protestantes (Inglaterra, Províncias Unidas, Alemanha, escandinavos, Boémia…) e católicos (Portugal, Espanha, Itália, Irlanda);
- Os protestantes negavam (e negam) o dogma da Imaculada Conceição de Maria;
- Entre 1618-1619 a crise intensifica-se (defenestração de Praga; execução do primeiro-ministro Johan van Holanda em 1619); a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648, fim no Tratado de Vestefália) seria a mais violenta do séc. XVII.
As lápides de Beja
- Borrela vê nas lápides cronografadas de 1619 de Beja “o testemunho inequívoco do horror da Guerra dos Trinta Anos e do desejo de libertação da nação portuguesa”;
- A câmara de Lisboa pedira a Filipe II autorização para colocar nas portas da cidade letreiros afirmando que a Virgem foi concebida sem pecado original (carta de 28 de Março de 1618); as lápides espalharam-se pelo país;
- O culto da Imaculada Conceição liga-se à Restauração: em 1640 D. João IV instituiu a festa de 8 de Dezembro, atribuindo-lhe o êxito da libertação nacional;
- Beja acatou a disposição real (directivas do Concílio de Trento); em 1654 o município colocou ainda uma lápide sobre o arco das portas (ver crónica anterior, Rainha de Portugal desde o século XVII).
Entidades mencionadas
Leonel Borrela · Lápides da Imaculada Conceição de Beja · Muralhas de Beja · Bispado de Beja
Documentos relacionados
- Iconografia Pacense — Índice das Edições (Leonel Borrela)
Como citar
Referência (APA): Borrela, Leonel (2006). Maria Concebida sem Pecado Original — As Lápides de 1619. Diário do Alentejo (Iconografia Pacense).