Lápides da Imaculada Conceição de Beja

Conjunto de lápides marmóreas cronografadas colocadas em Beja a partir de 1619 afirmando o dogma da Imaculada Conceição de Maria (concebida sem pecado original) - parte de uma campanha nacional de afirmação católica em plena Reforma protestante e início da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648).

Contexto

  • A câmara de Lisboa obteve de Filipe II autorização (carta de 28 Março 1618) para colocar nas portas da cidade letreiros do dogma; a prática espalhou-se pelo país (directivas do Concílio de Trento);1
  • O culto liga-se à Restauração: D. João IV instituiu a festa de 8 de Dezembro (1640), atribuindo-lhe o êxito da libertação nacional;1
  • Leonel Borrela lê as lápides de 1619 como testemunho do “desejo de libertação da nação portuguesa”. Em 1654 D. João IV determinou que se colocassem lápides do dogma sobre as portas das fortificações - o Museu Regional conserva uma delas. D. João IV consagrou o reino a N.ª Sra. da Conceição, declarada Padroeira/Rainha de Portugal (1646). Ver Rainha de Portugal desde o Século XVII (Leonel Borrela).1
  • Em 4 de Novembro de 1782, Francisco Pérez Bayer transcreveu a inscrição da Imaculada Conceição que se encontrava tanto na Porta de Évora como na Porta de Mértola. Atribuiu o texto ao secretário de Estado António de Sousa de Macedo e relacionou-o com a decisão de D. João IV de tomar Nossa Senhora da Conceição como padroeira do reino.2

Fontes

Tags

Epigrafia Religião Idade moderna

Notas

  1. Maria Concebida sem Pecado Original - As Lápides de 1619 (Leonel Borrela) 2 3 4

  2. Visita de Pérez Bayer a Beja (Leite de Vasconcelos, 1920) 2