O Real Mosteiro da Conceição — série 1997 (Leonel Borrela)
Série de artigos da Iconografia Pacense (1997, partes I–VII) dedicada ao Convento da Conceição e ao seu museu.
Resumo por parte
Parte I (25 Abr 1997) — Demolições e tentativa de catedral
- O convento foi o 2.º convento de clarissas franciscanas de Beja; o 1.º foi o Convento de Santa Clara, extramuros.
- “Após as demolições levadas a efeito no final do século XIX, desapareceu quatro quintos do edifício”. O núcleo sobrevivente — igreja, claustro e sala do capítulo — foi alvo de tentativa frustrada de conversão em catedral pacense, implicando: demolição dos coros alto e baixo da igreja, destruição de um paramento lateral e dos bancos revestidos de azulejaria sevilhana de aresta da sala capitular, raspagem de toda a pintura mural das abóbadas da igreja e do claustro. Acabou por se optar pela reconversão da Igreja de S. Tiago em Sé Catedral.
- A aparência exterior actual (“neogótica”) é quase toda postiça — torre sineira, janelas ogivais e platibanda aberta por quadrifólios de argamassa pouco têm a ver com o edifício gótico original; a galeria de pórtico ogival do Largo da Conceição é uma adição posterior.
- O convento cresceu organicamente desde meados do séc. XV até ao séc. XVII, atingindo quatro pisos sobrepostos e o triplo da área actual; a compra do Paço dos Infantes ocorreu no início do séc. XVIII.
- Em 1982/83, baseando-se em observações de Abel Viana, Borrela publicou uma primeira reconstituição da edícula tumular gótica do Infante D. Fernando e da abóbada estrelada na área da antiga capela-mor; em Março de 1990 foram encontrados elementos decorativos adicionais da edícula aquando da abertura de valas para condutas.
Parte II (2 Mai 1997) — Claustro, sacristia e Mariana Alcoforado
- Em dado momento do séc. XVII o convento albergava cerca de 180 freiras e quase outras tantas criadas.
- O claustro fotografado em 1890 por F. Camacho (fotógrafo de Lisboa), a pedido de Luciano Cordeiro para a 2.ª edição de Soror Mariana Alcoforado; o desenho de Rosa Júnior representa a sacristia original, no Museu Regional.
- A platibanda gótico-manuelina é datável de 1491–1495.
- Defesa da autoria de Mariana Alcoforado nas Lettres Portugaises: Borrela critica autores que negam a autoria e refere que durante 1997 sairia obra romancea da da californiana Catarina Vaz, que acompanhou nas investigações.
- A Janela de Mértola (“janela de Mariana Alcoforado”) junto à esquina do convento: Borrela apresenta desenho de Rosa Júnior.
Parte III (9 Mai 1997) — O Museu Regional
- Em 1997 a entrada no museu custava 100 escudos, dando acesso ao núcleo visigótico na basílica medieval de Igreja de Santo Amaro, às portas romanas de Évora e a um roteiro simplificado.
- O museu funciona no Convento desde 1927.
Parte IV (23 Mai 1997) — Sala Capitular: portal e interior
- O portal gótico da Sala Capitular: em mármore de Trigaches, quatro arquivoltas de secção circular; a 3.ª arquivolta ornada de encordoamentos (influência do hábito franciscano); a 2.ª com duas pequenas mísulas para imagens (visíveis na foto de Luciano Cordeiro de 1890).
- Programa escultórico alegórico no intradorso: videiras com folhas e cachos; dois “hórridos espécimes alados, escamosos e de garras afiadas” que “abocam e puxam” as videiras, enquanto um caracol imperturbável observa — alegoria da luta entre o bem e o mal à entrada da sala.
- Portal sobrepujado pelo escudo de armas de D. João II suportado por dois anjos.
- Interior: quatro abóbadas de aresta repousam ao centro numa esbelta coluna toscana (única); azulejaria islâmica reveste os paramentos. (Ver também O Real Mosteiro da Conceição — A Sala Capitular (Leonel Borrela, 1986) e Sala Capitular (Convento da Conceição).)
Parte VII (20 Jun 1997) — Planta de 1870 e Porta de Mértola
- Borrela descreve uma planta datada de 1870 do convento e área envolvente (cópia obtida de José Luís Mamede Martins), que apresenta divisões identificadas do convento e outras numeradas com legenda não encontrada.
- Análise da área das Portas de Mértola: à direita do túnel (interior), a Capelinha dos Anjos (localização exacta controversa — alguns autores antigos situam-na sobre as portas, como acontece com a Capela de Nossa Senhora da Guia sobre as Portas de Avis; Borrela, após observações das obras da perfumaria da Farmácia Oliveira, defende que ficava no grosso da muralha); ao fundo, a Capelinha de Santo António (Antonico), identificada na planta de 1870 com o n.º 1.
- A Janela de Mértola (a “janela de Soror Mariana Alcoforado”) situa-se na “janela mais alta e larga próximo da esquina do convento”.
Parte V (30 Mai 1997) — Fotografias de Camacho de 1890
Dois novos documentos fotográficos de F. Camacho do ano de 1890, extraídos do “álbum de recordações do Convento de Nossa Senhora da Conceição” (texto do artigo truncado no PDF — apenas o início recuperado).
Parte VI (6 Jun 1997) — Sala Capitular, coro alto e azulejaria filipina
Dois documentos fotográficos do final do séc. XIX:
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Sala Capitular: entrada com as portas de pau-preto provenientes do acesso ao coro baixo — rearranjo para adaptar o Capítulo a sacristia da futura Sé de Beja. As mísulas clássicas que ladeavam o portal ogival foram retiradas por serem falsas (madeira) e substituídas por outras de mármore (início do séc. XX). Fontes: Abel Viana, Arquivo de Beja (1944+), com base em notícias do jornal O Bejense (1892-1897) sobre as demolições do Palácio dos Corvos, Convento da Conceição e Palácio dos Infantes.
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Coro alto: azulejaria de xadrez no painel de fundo (similar à da Quadra do Evangelista — possivelmente usada para cobrir a pintura mural sobre o portal ogival do Capítulo); bancos, estante de livro, órgão, pequenos oratórios; quadro a óleo Ressurreição (encimando a grade para a igreja → encontra-se desde o final do séc. XIX no coro alto da Igreja do Salvador); dois escudos de armas idênticos (desaparecidos), com cinco escudetes em aspa — mesmo brasonar do tanque do Cano (próximo da estação de CF), da antiga torre sineira do Convento da Conceição, e de outras obras filipinas. Borrela conclui que o revestimento azulejar do coro alto é provavelmente do séc. XVII, próximo da data da torre sineira (1634), que apresenta escudo semelhante (adaptado ao estilo neogótico).
Entidades mencionadas
Locais: Convento da Conceição · Convento de Santa Clara · Paço dos Infantes · Museu Rainha D. Leonor · Igreja de Santo Amaro · Porta de Évora · Porta de Mértola · Janela de Mértola · Sala Capitular (Convento da Conceição) · Largo da Conceição · Igreja de S. Tiago · Trigaches · Capelinha dos Anjos (Porta de Mértola) · Capelinha de Santo António (Porta de Mértola)
Pessoas: D. Fernando, 1.º Duque de Beja · Abel Viana · Luciano Cordeiro · Rosa Junior · Mariana Alcoforado · D. João II · D. Manuel I · Infanta D. Beatriz · F. Camacho
Documentos relacionados
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- Convento da Conceição de Beja — Arquitectura num Período de Transição (Nicole Martins) — estudo académico
- A Janela de Mértola (Leonel Borrela) — artigo de 2007 dedicado à janela de Mariana
Como citar
Borrela, Leonel (1997). O Real Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição (I–VII). Diário do Alentejo — Iconografia Pacense, Abr–Jun 1997.
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