A Ermida de Santo André (Leonel Borrela, 1995-1996)
Dois artigos da Iconografia Pacense dedicados à Igreja de Santo André, o primeiro (Jul 1995) sobre a sua origem e debate cronológico, o segundo (1996) em defesa da sua anterioridade relativamente à Ermida de S. Brás de Évora.
Resumo
Artigo I (Jul 1995) — Origem e debate sobre o românico em Beja
- A tradição associa a fundação da ermida ao dia 30 de Novembro de 1162, data em que Beja foi tomada aos mouros: D. Sancho I teria ordenado a sua construção sob a invocação de Santo André.
- Borrela questiona o mito de que “em Beja não havia arte românica”: a ideia de que o estilo gótico teria apagado tudo anterior é simplista — os estilos sobrepõem-se e as influências persistem.
- A ábside da ermida é visível e constitui um dos elementos mais antigos identificáveis.
Artigo II (1996) — Comparação com S. Brás de Évora e defesa da anterioridade
- Alguém afirmara que a Ermida de S. Brás de Évora (fundada 1483) seria o protótipo do gótico-manuelino-mudéjar e que a Santo André seria “interpretação mais pobre e simples”. Borrela contesta: a Igreja de Santo André é anterior a S. Brás, tendo sido remodelada na segunda metade do séc. XV — não é derivada de S. Brás, mas pode ter influenciado a solução alentejana.
- A torre sineira é dos elementos mais recentes, do séc. XVII.
- Borrela aproveita para listar os monumentos únicos de Beja: Torre de Menagem, loggia da Misericórdia, Convento da Conceição, Hospital Grande de N.ª Sra. da Piedade, Capela dos Túmulos de S. Francisco e c. 1 700 m de muralha com 37 torres de fundação maioritariamente romana.
Entidades mencionadas
Locais: Igreja de Santo André · Torre de Homenagem · Igreja da Misericórdia · Convento da Conceição · Hospital de Nossa Senhora da Piedade · Capela dos Túmulos (Convento de S. Francisco) · Muralhas de Beja
Pessoas: D. Sancho I
Como citar
Borrela, Leonel (1995–1996). A Ermida de Santo André (I e II). Diário do Alentejo — Iconografia Pacense, Jul 1995 e 1996.