Al-Mu’tamid

Al-Mu’tamid (Beja, Dez. 1040 — Aghmat, 14 Out. 1095), nome completo Abt-l-Qâsim Muhammad Ibn Abî Amr Abbad, o célebre rei-poeta do al-Andalus, nascido em Beja (Baja). Foi rei de Sevilha (taifa abádida) no séc. XI — um dos mais poderosos reis das taifas e dos maiores poetas árabes da Península. É a figura mais notável da Beja Muçulmana.1

Origens em Beja

Nasceu em Beja em Dezembro de 1040 e viveu na cidade até aos 11 anos. A mãe era provavelmente uma berbere bejense do harém de seu pai. O pai, Abbad Al-Mutadid, governava Beja em nome do avô Ismail ibn Abbad, suserano de Sevilha. O provável local de nascimento era a Casa dos Corvos (“Casa de Aladino”), alcácer dos emires de Beja, ao lado da actual Igreja de Santa Maria da Feira (então mesquita-aljama) — demolido entre finais do séc. XIX e inícios do XX.2

Beja na época: “cidade de notável prestígio económico, político e cultural”, “a mais importante cidade ocidental do poderoso reino Andaluz” (Adalberto Alves).2

Percurso

  • Aos 11 anos: governador nominal de Huelva
  • Aos 13 (1053): enviado para assediar e governar Silves; aí conhece Ibn Ammâr, poeta plebeu e futuro grão-vizir
  • 1069: morte do pai; assume o reino de Sevilha aos 29 anos com o nome Al-Mu’tamid
  • Rainha Itimad (Itimad al-Rumaykya): escrava de um muleteiro chamado Rum, descoberta junto ao rio Arade; completou um verso de improviso e conquistou o coração do rei; tornou-se rainha e acompanhou-o até à morte2
  • Morte de Ibn Ammâr: Al-Mu’tamid matou-o na prisão com uma acha, convencido de traição; “com a morte de Ibn Ammâr, Al-Mu’tamid aproxima-se mais do seu próprio fim político”2
  • 1085: chamada dos Almorávidas de Yûsuf ibn Tâshfin para enfrentar Afonso VI; célebre frase: «Antes condutor de camelos em África do que porqueiro em Castela»
  • Três intervenções almorávidas (1086, 1088, 1090); na terceira, Ibn Tâshfin apoderou-se dos reinos taifas
  • 1093: revolta falhada do filho ‘Abd al-Jabbâr em Arcos
  • Deportado para Aghmat (perto de Marraquexe); posto a ferros até à morte
  • Morreu a 14 de Outubro de 1095; a sepultura tornou-se local de peregrinação mundial2

Poesia e mecenato

Três fases poéticas distintas (quase três “autores” diferentes, nota-se). No exílio escreveu os poemas mais pungentes — introspecção, perda da liberdade, saudade. Versos do epitáfio escritos nas vésperas da morte ornamentam hoje a parede aos pés do túmulo. Grande mecenas: em Tânger, já prisioneiro, entregou as últimas moedas a um poeta cego que lhe declamou versos.2

Fernando Pessoa contribuiu para a divulgação do seu legado no final dos anos 1920, traduzindo e difundindo a sua obra em textos publicados em inglês.2

Fontes

Tags

realeza islamico

Footnotes

  1. Roteiro de Beja (Câmara Municipal de Beja, 2018)

  2. Al-Mu’tamid, o Rei Poeta de Beja (Bruno Ferreira, O Atual, 2023-2024) 2 3 4 5 6 7