Poço de Aljustrel

O mais afamado de Beja. “Preciosa e cristalina água”, abundantíssima. Localizado a c. 800 m da cidade, lado poente, junto à estrada para Aljustrel, dentro da freguesia de S. João Baptista.

Cronologia

  • 1509 — primeira referência (Tombo do Hospital da Piedade)1; Acórdão camarário de 8 Jul 1589 proíbe aguadeiros de usar o poço por escassez: “nenhum Açacal que vende agoa irá ao poço d’Aljustrel sob pena de 500 reis” — “Açacal” do árabe assaca (regar)2
  • 1638–1639 — obras de limpeza1
  • 1643 — Tombo: bocal de pedraria “com suas lajes à volta”1
  • 1732 — antigo chafariz demolido; pedras usadas na Igreja do Carmo2 (Marta Páscoa indica 17381)
  • 1872 — Câmara instala bomba; aguadeiros queimam a casa de madeira e deitam petróleo no poço1
  • 1875 — restauro do poço e do chafariz pequeno defronte2
  • Séc. XX — principal fonte de abastecimento; poço artesiano 25 m profundidade, motor-bomba 10.000 l/h1
  • 1945 — estação de captação construída no “Fim da Mina”1

Arquitectura (estrutura actual — restauro 1875)

Abóbada sobre duplo pódio octogonal: corpo inferior em blocos de mármore, superior em argamassa de tijolo/pedra/cal; abertura circular no cimo (antigo lanternim); friso com folhas de acanto estilizadas nos cantos; quatro faces com arcos de volta inteira em forma de nicho.2

Chafariz pequeno renascentista (defronte, restaurado 1875): cabeceira com máscara (divindade da água?) ladeada por aletas e vasos em baixo-relevo sobre pedestais, tudo em mármore.2

Antigo Chafariz de Aljustrel (demolido 1732)

Situado acima, no lado direito da estrada. Construído em pedra, com cabeceira de ameias, brasão com armas reais e cabeça de touro ao centro. Medidas: 16 varas e um palmo de comprimento × vara e meia de largura. Pedras reaproveitadas na Igreja do Carmo (Beja).2

Chafariz adjacente (descrição anterior)

Junto à estrada (c. 1 tiro de fuzil do poço): todo de pedraria, parede com ameias, armas reais e cabeça de touro. Modelo para o Chafariz do Pelame.1

Testemunho de 1734 / 1758

O P. Pedro Pires Nolasco Serrano descreve-o como “celebrado poço de preciosa e cristalina agoa”, a 2 tiros de mosquete dos muros, na freguesia de S. João; durante a Feira de Beja abastecia a maior parte da gente e do gado. P. António Pires Serrano (1758): água tão pura que “extrahida do poço se conserva muitos mezes sem a menor corruçam”.

Saboarias — Horta do Sabão

Contíguas ao antigo chafariz ficavam as saboarias de Beja (Horta do Sabão). Figueira Mestre e Borrela levantam a hipótese de corresponderem às saboarias herdadas pelo D. Fernando, 1.º Duque de Beja por morte do seu tio o Infante D. Henrique — hipótese sem confirmação documental.2

Lendas

  • Bruxas e lobisomens reuniam-se à meia-noite à volta do poço e dançavam até de manhã.2
  • O Bejense (1872): um cristão-novo confessou ter ido sobre um bode ao poço de Aljustrel esperar o Messias.2

Fontes

Tags

poco

Footnotes

  1. A História da Água de Beja (Marta Páscoa) 2 3 4 5 6 7 8

  2. Poços, Fontes e Chafarizes — II. O Chafariz e o Poço de Aljustrel (Figueira Mestre e Borrela, 1987) 2 3 4 5 6 7 8 9