Judiaria de Beja
Bairro judaico de Beja, criado por D. Pedro I (1.ª dinastia). Localização presumida: a actual Rua da Guia (Rua Dr. Aresta Branco, antigas ferrarias), que vai de Santa Maria para a Porta de Évora — artéria de tendas-oficinas de ferreiros (mester próprio dos judeus).
A comunidade judaica
- Tributos régios: judenga/juderege (30 dinheiros), peita (imposto anual); vinho cosher/judengo taxado1
- Restrições (D. Duarte): só beber nas judiarias; comércio ambulante só dentro do burgo1
- Classe abastada com boas relações com o reino: empréstimos a D. Afonso V para os Descobrimentos; 3.º maior valor para a expedição às Canárias (1440)1
Famílias e figuras notáveis
- Abravanel (condenados pela conjura contra D. João II; próximos da Infanta D. Beatriz)1
- Abraão Zacuto — astrónomo, conselheiro de D. Manuel (vivia em Beja)1
- Rabi Abraão de Beja — enviado por D. João II na senda de Pero da Covilhã1
- Dr. António Bom-Dia — médico do Convento da Conceição1
Declínio
Perseguição pela Inquisição de Évora (8.194 vítimas, o maior número de Beja; 1.º judeu vitimado de Beja em 1567; anos terríveis 1615–1640) → Beja como “cidade sem fé nem sé”.