Habitus Militaris ou Habitus Barbarus? — A Sepultura de Guerreiro de Beja (Christoph Eger, 2015)
Estudo internacional de Christoph Eger (arqueólogo, LVR) que coloca a Sepultura de Guerreiro de Beja (Pax Julia/Beja) no centro de um debate europeu: as sepulturas masculinas ricas de meados do século V no Mediterrâneo refletem uma aristocracia militar romana (habitus militaris) ou uma elite bárbara (habitus barbarus)?
⚔️ Revela que a “sepultura de Beja” não era só fivelas: era uma sepultura de guerreiro com espada. É a contextualização internacional do achado que Andreia Arezes estudou pelo lado dos adornos.
A sepultura de Beja no estudo
- Uma das três sepulturas-chave analisadas (com Porto Capraia, na ilha de Capraia, e a de Arifridos em Thuburbo Maius, Tunísia)
- Datada da 2.ª-3.ª quartas do séc. V d.C. (início do Período das Migrações)
- O guerreiro foi historicamente interpretado como vândalo ou visigodo
- Espólio: uma espada (spatha) de lâmina longa e estreita, com guarda em cruz maciça de ferro decorada a cloisonné, pomo de ferro e um “pingente mágico”; fivela de ouro redonda de tipo “danubiano” (fase D2, c. 400/10–440/50 d.C.); restantes adornos de vestuário
- Publicação fundadora: König 1981; reinterpretação por von Rummel 2007
O debate (a tese de Eger)
- Habitus militaris: von Rummel via estas sepulturas como expressão de uma nova aristocracia militar tardo-romana (Beja, Capraia, Thuburbo + os túmulos principescos de Childerico/Tournai e Pouan)
- Habitus barbarus: Eger contesta — junta sepulturas demasiado diferentes no mesmo nível; e sobretudo, depositar uma espada na sepultura era um costume novo nessa região (não existia nas províncias romanas do Próximo Oriente nem na Cultura do Douro), apontando antes para mobilidade pessoal de indivíduos de origem “bárbara” (danubiana/oriental)
- A fivela e a espada têm focos de distribuição na bacia do Danúbio Médio e no Mar Negro — “dificilmente o guerreiro de Beja seria um oficial romano comum”
- Conclusão: uma cultura material regionalmente diferenciada dentro do próprio Império, melhor explicada pela mobilidade de pessoas do que por moda ou comércio
Entidades mencionadas
- Pessoas: Christoph Eger (autor) · Andreia Arezes
- Locais: Sepultura de Guerreiro de Beja
- Temas: Beja Visigótica
Documentos relacionados
- As Fivelas Visigóticas de Beja (Andreia Arezes, 2017) — o mesmo achado, pelo lado das fivelas/cloisonné
- Estudo Etnográfico, Cultural e Linguístico da Cidade de Beja (Mariana Correia) — Beja na transição romano-visigótica
Como citar
Referência (APA): Eger, Christoph (2015). Habitus militaris or habitus barbarus? Towards an interpretation of rich male graves of the mid 5th century in the Mediterranean (conference paper).