O Xaroco e o Projecto Outeiro do Circo (Porfírio, Serra e Mendoza, 2025)

Artigo de Eduardo Porfírio, Miguel Serra e Andrea Mendoza sobre a relação do Projecto Outeiro do Circo com as comunidades locais e sobre a criação do documentário Xaroco. Publicado em 2025 na revista Eburobriga, o estudo documenta a dimensão educativa, cultural e comunitária da investigação arqueológica desenvolvida em torno do Outeiro do Circo.

Educação patrimonial e participação local

O programa de educação patrimonial do projecto desenvolve-se desde 2008. A investigação foi organizada segundo uma lógica colaborativa, reunindo investigadores, instituições, participantes nas escavações e habitantes da região. A divulgação manteve a investigação científica como ponto de partida, mas procurou associar o sítio arqueológico a outros recursos locais:

  • artesanato e produtos da região;
  • património natural;
  • Cante Alentejano e outras manifestações do património cultural imaterial;
  • lendas, recordações pessoais e conhecimento do território.

Os primeiros contactos com os habitantes destinaram-se a recolher histórias e memórias sobre o passado recente do Outeiro do Circo e a cartografar recursos que escapavam às prospecções arqueológicas convencionais. A presença regular de moradores nas escavações levou depois à colaboração com instituições e colectividades na organização de iniciativas públicas.

Fotografia, vídeo e memória do projecto

O arquivo do Projecto Outeiro do Circo reuniu milhares de fotografias e dezenas de vídeos. Para além do registo arqueológico, estas imagens documentam os participantes, as visitas e a transformação da relação entre o sítio e as comunidades.

Em 2017, uma selecção do arquivo fotográfico deu origem à exposição Projecto Outeiro do Circo - Olhares, inaugurada na Casa da Cultura de Beja durante a estreia do documentário Outeiro do Circo: o guardião da planície, realizado por Manuel Monteiro a partir da sua participação voluntária na campanha de escavações de 2016. A exposição e o filme foram depois apresentados no festival Heritales, em Évora. Em Agosto de 2017, o documentário foi exibido em Mombeja durante as festas de Santa Susana, juntamente com a exposição Gestos ancestrais - objectos de ontem e de hoje.

O documentário Xaroco

O nome Xaroco designa no Alentejo o vento que sopra do Levante. A realizadora Andrea Mendoza transformou-o em metáfora da circulação do conhecimento e das relações que ligam o Outeiro do Circo a Mombeja e à região.

O documentário parte da arqueologia e do trabalho de campo, mas integra também a paisagem, a vida quotidiana alentejana, o cante e questões sociais contemporâneas. A montagem foi concebida como um mosaico de fragmentos, aproximando a recomposição cinematográfica do processo interpretativo da arqueologia.

Apresentações públicas em 2018

  • Julho de 2018 - estreia no Cine-Teatro Pax-Júlia, em Beja, com cerca de 200 espectadores. A sessão terminou com a actuação dos Cantadores do Desassossego.
  • Setembro de 2018 - apresentação em Mombeja, nas Jornadas Europeias do Património, com cerca de 100 espectadores e participação dos Cantadores do Desassossego e do Grupo Coral de Mombeja.
  • Outubro de 2018 - nova exibição durante o encontro Arqueologia em Comunidade, no Hospital de Nossa Senhora da Piedade. O programa reuniu arqueologia, património edificado, museologia, gastronomia e cante alentejano.

Os autores defendem que a socialização do património é indispensável à sua preservação e que deve recorrer a formatos diferentes para chegar a públicos com níveis distintos de conhecimento e envolvimento.

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Como citar

Referência (APA): Porfírio, Eduardo, Serra, Miguel, & Mendoza, Andrea (2025). O Xaroco e o Projecto Outeiro do Circo. O vento como metáfora para a divulgação do conhecimento científico junto das comunidades locais. Eburobriga: História, Arqueologia, Património, Museologia, (11), 101-110.

Tags

Arqueologia Cultura Educação Património