O Povoado do Bronze Final do Outeiro do Circo (Beja) — Balanço Preliminar do Projecto de Investigação 2014-2017 (Serra e Porfírio)

Relatório arqueológico de Miguel Serra e Eduardo Porfírio (comunicação ao X Encontro de Arqueologia do Sudoeste, Zafra 2018; publicado 2022) sobre as campanhas de 2014–2017 no Outeiro do Circo — o grande povoado fortificado do Bronze Final da região de Beja. É o relatório primário de escavação que complementa a síntese de Raquel Vilaça (2014).


Os dois projectos

  • 2008–2013 — estudo do sistema defensivo (revelou um complexo sistema de muralhas)
  • 2014–2017 — estudo da área interior / componente habitacional e das dinâmicas internas (área antes mal conhecida); três vertentes: investigação científica, educação patrimonial e valorização

Métodos

  • Prospecções geofísicas (Univ. de Évora — Centro de Geofísica e Laboratório Hércules): resistividade, magnetometria, geo-radar (2014–2015); termografia aérea (2016, SPN Engenharia/Samuel Neves)
  • 11 sondagens ao longo de 4 campanhas (2014–2017)

Resultados

Área interior (sondagens 3–6, 9–11) — parcos

  • Estratigrafia muito escassa (10–40 cm) e fortemente revolvida pela agricultura mecanizada (marcas de arado profundas no substrato de gabro)
  • Única estrutura clara: fossa/silo [311] (Ø ~2,5 m), com dois enchimentos de pedras em sedimento negro, cerâmica e fauna do Bronze Final; incluía um fragmento de afloramento com “covinhas” (cup-marks)
  • Materiais de cronologias mais recentes misturados: Idade do Ferro e época romana (terra sigillata, campaniense) e até medieval → o sítio continuou a ser frequentado mas não ocupado após o abandono
  • A sondagem 11 esclareceu que o “muro divisório” longitudinal é uma divisão de propriedade moderna/contemporânea, não pré-histórica

Junto à muralha (sondagens 7–8) — mais ricas

  • Estratigrafia mais profunda e melhor preservada; materiais do Bronze Final aumentam em quantidade e qualidade com a profundidade
  • Alinhamentos e concentrações de blocos de gabro — provavelmente derrubes da muralha; alguns blocos com covinhas insculturadas; pedras com vestígios de exposição ao fogo
  • Espólio: cerâmica do Bronze Final (vasos de tamanho pequeno/médio), denticulados de foice (líticos), pequenas argolas e conta de colar em liga de cobre
  • A escavação da sondagem 8 ficou por concluir (a aguardar projecto futuro)

Confirmações sobre o sítio

  • ~17 ha; muralha ainda legível pela linha de taludes arborizados; possível duplo alinhamento + rampa de barro cozido
  • Entrada principal com dois bastiões no extremo SW — já só observável por fotografia aérea e geofísica
  • Ocupação mais antiga talvez calcolítica (escassa); no Bronze Pleno o sítio não estruturava o povoamento; é no Bronze Final que emerge a ocupação plena com a monumentalização da colina (muralha) — esforço colectivo da comunidade
  • Reparte-se administrativamente pelas freguesias de Beringel e de Santa Vitória e Mombeja

Educação patrimonial

~300 visitantes nas 4 campanhas; 23 sessões de conferências (incl. ciclos “Territórios” 2016 e “Grandes povoados da Idade do Bronze do Sudoeste” 2017), realizadas em vários espaços de Beja, incluindo conferências nocturnas junto ao Núcleo Museológico do Sembrano (apoio da CMB).


Entidades mencionadas

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Como citar

Referência (APA): Serra, Miguel, & Porfírio, Eduardo (2022). O povoado do Bronze Final do Outeiro do Circo – Projecto 2014-2017. In Actas do X Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular (Zafra, 2018) (pp. 440-474). Ayuntamiento de Zafra.

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bronze-final outeiro-do-circo arqueologia escavacao geofisica muralha pre-historia beja