Unguentário Romano de Mombeja (Leite de Vasconcelos, 1909)

Nota breve publicada por Leite de Vasconcelos n’O Arqueólogo Português, Série 1, Vol. 14 (1909), p. 57, sobre um unguentário de vidro romano proveniente da área de Mombeja.


O unguentário e a sua proveniência

O objecto foi encontrado numa propriedade em Côrtes, freguesia de Mombeja, concelho de Beja. Era propriedade de Félix António Fialho de Mira, que o ofereceu ao Museu Etnológico Português em Maio de 1908 por intermédio do seu irmão António de Mira Barros Fialho — já anteriormente doador de outros objectos arqueológicos ao Museu.1

O unguentário encontrava-se numa sepultura com paredes e tampa de tijolos mas fundo de terra natural (chão virgem). Com ele estavam ossos humanos. A sepultura foi descoberta durante trabalhos agrários, “há tempos”.


Interpretação de Leite de Vasconcelos

Mombeja pertencia à circunscrição da antiga Pax Iulia, colónia romana fundada (julga-se) por Júlio César por meados do séc. I a.C.

Os unguentários — vasos de perfumes — eram colocados junto dos cadáveres em razão de crenças na existência póstuma.

A inumação (e não a cremação) do inumado sugere que a sepultura não é anterior ao séc. II d.C. — o rito de inumação sucedeu ao de cremação nos romanos, com algumas alternativas.

O artigo remete, em rodapé, para o Vol. 11 do O Arqueólogo Português (pp. 184–185), onde já se deram conta de sepulturas da Idade do Bronze de Mombeja com tampas gravadas — cf. Sepulturas da Idade do Bronze em Santa Vitória, Ervidel e Beringel (Leite de Vasconcelos, 1906).1


Entidades mencionadas

Locais: Mombeja · Museu Rainha D. Leonor · Museu Etnológico Português · Pax Iulia — Roma em Beja

Pessoas: Leite de Vasconcelos · Félix António Fialho de Mira · António de Mira Barros Fialho

Temas: Necrópoles de Beja · Epigrafia Romana de Beja


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Como citar

Leite de Vasconcelos, J. (1909). Unguentário de Mombeja. O Arqueólogo Português, 14, 57.

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romano beja arqueologia

Footnotes

  1. Leite de Vasconcelos, J. (1909). Unguentário de Mombeja. O Arqueólogo Português, 14, 57. 2