Pedrinha com Inscrição da Villa de Pisões (D’Encarnação e Lopes, 2022)
Artigo de José D’Encarnação e Maria da Conceição Lopes sobre uma pequena peça inscrita encontrada na villa romana de Pisões, na Herdade de Algramaça, concelho de Beja. A peça foi publicada como inscrição 801 do Ficheiro Epigráfico n.º 230.
Descoberta e conservação
Maria da Conceição Lopes encontrou a pedra à superfície em 23 de Julho de 1997. Em 2022, integrava os materiais arqueológicos do Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Descrição
A peça é um pequeno bloco quadrangular de calcário bege, com 2,2 por 2 por 1,1 cm. Apresenta pátina, vestígios de manipulação, arestas regulares e face posterior lisa. Falta-lhe apenas uma pequena porção do ângulo inferior direito.
A inscrição foi gravada à mão levantada com goiva e distribui-se por duas linhas:
ΠICT
O CA primeira letra é um pi maiúsculo grego, executado com duas hastes verticais e uma barra horizontal. Seguem-se um I, um C e um T; na segunda linha, o O e o C descem ligeiramente para a direita. As letras medem entre 0,3 e 0,4 cm.
Leituras possíveis
Os autores apresentam três possibilidades sem escolher uma leitura segura:
- uma única palavra, Pictoc, com o P latino substituído pelo pi grego;
- duas palavras abreviadas, Pict[…] e oc[…];
- uma palavra seguida das siglas O e C.
A peça poderá ter funcionado como etiqueta identificativa ou selo associado a um cesto, saco ou contentor, mas não conserva furos nem outros dispositivos de fixação. Os vestígios de manuseamento apoiam apenas a ideia de que foi usada, não permitem determinar a sua função.
A hipótese de PISTOR
De forma assumidamente imaginativa, os autores propõem que o primeiro C possa representar um sigma grego e o segundo um rho minúsculo, formando PISTOR, “padeiro”. Esta leitura permitiria relacionar a peça com um produto ou actividade de padaria.
A forma do T é também evocada como possível indício de um ambiente paleocristão. Nenhuma destas propostas constitui uma leitura demonstrada: faltam paralelos formais, contexto estratigráfico e datação independente. A peça não comprova, por si só, a existência de uma padaria nem uma ocupação paleocristã da villa.
Entidades mencionadas
- Pessoas: José D’Encarnação · Maria da Conceição Lopes
- Locais: Pedrinha com Inscrição da Villa de Pisões · Villae de Pisões · Herdade de Algramaça · Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
- Temas: Ficheiro Epigráfico · Epigrafia Romana de Beja · Villae Romanas do Território Pacense
Documentos relacionados
- A Cidade Romana de Beja (M. Conceição Lopes) - enquadramento arqueológico da villa e do território rural de Pax Iulia
- Villae de Pisões - Notícia de Descoberta (O Arqueólogo Português, 1967) - primeira notícia das ruínas de Pisões
- Villa Romana de Pisões (Isabel Mendonça, 1993) - inventário patrimonial e descrição do conjunto arqueológico
Como citar
Referência (APA): D’Encarnação, José, e Lopes, Maria da Conceição (2022). Pedrinha com inscrição da villa de Pisões (Conventus Pacensis). Ficheiro Epigráfico, (230), inscrição 801, 15-16.