Beja Republicana — Um Roteiro Republicano da Cidade (Carlos Lopes Pereira, 2020)

Pereira, C. L. (2020, 29 de fevereiro). Beja: Um roteiro republicano da cidade. Diário do Alentejo. Baseado em: Piçarra, C. (2019). A I República na Geografia Urbana de Beja – Um roteiro republicano da cidade. Câmara Municipal de Beja. (Exposição «Beja Republicana», Centro Unesco, 2019.)

Artigo de divulgação publicado pelo Diário do Alentejo, com texto baseado na obra de Constantino Piçarra e fotografias do Arquivo Municipal de Beja, no contexto da exposição «Beja Republicana» organizada pela Câmara Municipal de Beja no Centro Unesco (fins de 2019).

Espaços e factos documentados

Praça da República (antiga Praça D. Manuel I)

  • Rebaptizada Praça da República a 10 de outubro de 1910
  • Na câmara municipal foi proclamada a República a 6 de outubro de 1910
  • O edifício camarário albergava: tribunal judicial, conservatórias dos registos civil e predial, e (até aos anos 1920) biblioteca e museu municipal
  • Grandes momentos: concentração da tarde de 5 de outubro de 1910 (celebração da proclamação); manifestação de 14 de janeiro de 1912 (laicização do Estado); recepção a Sidónio Pais em fevereiro de 1918; comemoração do armistício, 11 de novembro de 1918
  • No local: estabelecimentos comerciais, cadeia civil, escritórios de advogados, Associação Comercial Bejense, jornal O Bejense (órgão do Partido Unionista), liceu

Portas de Mértola e Rua de Mértola

  • Centro comercial republicano: lojas Singer, Vacaria Manaças, Relojoaria Silva
  • Na noite de 5 de outubro de 1910, da janela da casa de Francisco Pereira Coelho (advogado mertolense, deputado, governador civil e director de O Bejense) na Rua de Mértola, o novo governador civil António Aresta Branco discursou à multidão

Rua do Cativo (hoje Rua Capitão João Francisco de Sousa)

  • Ligação entre Portas de Mértola e Praça Jacinto Freire de Andrade
  • Centro Democrático, inaugurado por Afonso Costa em 1912
  • Parque Vista Alegre

Largo de Santa Maria (Largo do Porvir)

  • Redação, administração e tipografia do jornal republicano O Porvir
  • Suspenso na época sidonista; substituído por O Povo Alentejano (dir. Soveral Rodrigues); retomou a 6 de abril de 1918
  • Associação dos Bombeiros Voluntários de Beja (fundada 1889)
  • Caixa Geral de Depósitos (junto à igreja, a partir de meados dos anos 1920)
  • Cruz Vermelha Portuguesa (pelo menos desde 1915)
  • Escritório do líder democrático Henrique Silva

Praça Morais Sarmento (hoje Largo da Conceição)

  • Sociedade Recreativa e Artística Bejense (fundada 1893, refundada 1909): comprometida com o ideário republicano; bailes de Carnaval e saraus musicais a partir de 1914 — entrada pela Rua 5 de Outubro (ex-Rua dos Infantes)
  • Armazéns do Chiado (transferidos para a Praça da República em meados dos anos 1920)
  • Minerva Comercial: imprimia o semanário O Bejense
  • Esforços desde a República para instalar o museu e a biblioteca no Convento da Conceição; inauguração da biblioteca nas «novas» instalações a 5 de outubro de 1923 segundo Piçarra (conflito com a data de 5 de outubro de 1925 citada por Leonel Borrela em 2006)

Largo 9 de Julho (depois Largo D. Nuno Álvares Pereira)

  • Fronteiro ao quartel do Regimento de Infantaria 17 de Beja
  • Hotel Rocha: Afonso Costa aqui pernoitou
  • RI17 instalado em Beja em 1889; esperados ~1 200 recrutas em 1912, mas quartel exíguo; recrutas enviados para Elvas

Praça Jacinto Freire de Andrade (hoje Praça Diogo Fernandes / Jardim do Bacalhau)

  • 26 de junho de 1913: inauguração do Éden Teatro (edifício em madeira, empresa de Luís Pereira e Companhia) — animatógrafo com orquestra residente sob o maestro Manuel Lourenço Romeiro
  • Funcionou até 1922, data em que foi removido (construção do Pax Julia a avançar)

Jardim Público

  • Coreto onde a banda do RI17 dava concertos nos verões e primaveras
  • O nome «9 de julho» em dois espaços da cidade remete para a batalha de 9 de julho de 1833 (liberais vs. absolutistas nos arredores de Beja): voluntários de Beja, Serpa e Mértola sob o tenente-coronel serpense Francisco Romão de Góis tentaram libertar a cidade, mas foram repelidos com ajuda de tropas vindas de Messejana

Estação de Caminho de Ferro

  • Único elo da cidade com o País (sem água canalizada nem luz eléctrica)
  • Diariamente: 3 comboios para Lisboa/Vila Viçosa/Setúbal, 2 para o Algarve, 2 para Moura; rápidos às seg/sex (Algarve→Lisboa) e qua/sáb (Lisboa→Algarve)
  • Palco de recepções a figuras republicanas

Largo de Santo Amaro

  • Ginásio Clube Bejense: prova ciclística de 25 de fevereiro de 1914 Beja–São Matias (20 km ida e volta), ganha por João Manuel Conde de Matos em 1h 02m 05s
  • Jardim dos Aliados ao centro do largo
  • Celeiro Comum instalado na antiga Igreja de Santo Amaro
  • Associação de Classe dos Sapateiros (transferida da Rua João Conforte)
  • Local central das comemorações do 1.º de Maio

Ligações

Tags

i-republica urbanismo cultura