A Lápide Tumular dos Alcoforados e a Pedra Tumular de Soror Mariana (Ribeiro e Martins, 1912)
Dois recortes de imprensa datados de 29 de Fevereiro de 1912, conservados no Arquivo do Museu da Presidência da República. O primeiro, uma carta de Patrocínio Ribeiro publicada em O Século, relata o encontro em Beja de uma lápide tumular da família Alcoforado reutilizada como manjedoura. O segundo, de Rocha Martins, transforma o episódio numa evocação literária de Mariana Alcoforado.
O testemunho de Patrocínio Ribeiro
Patrocínio Ribeiro escreveu que, por indicação do amigo Marcelino Gorgulho, encontrara a pedra na cavalariça de uma casa particular de Beja, onde servia de manjedoura. Descreveu um brasão de armas em relevo, relativamente bem conservado, e transcreveu a inscrição: «Carneiro da família dos Alcoforados d’esta cidade».
O autor atribuiu a pedra a Francisco da Costa Alcoforado e afirmou que também teria coberto os restos da sua filha Mariana. Esta identificação é uma interpretação do autor: a inscrição reproduzida refere apenas a família Alcoforado e não nomeia Francisco nem Mariana.
A carta procurava chamar a atenção da Associação dos Arqueólogos Portugueses. Patrocínio Ribeiro propôs a transferência da lápide para o Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa, por considerar imprópria a sua permanência numa cavalariça.
A reformulação de Rocha Martins
Rocha Martins apresentou Patrocínio Ribeiro como descobridor e intitulou a peça «A pedra tumular de Soror Mariana é descoberta numa estrebaria em Beja». O artigo repete a atribuição a Mariana, mas não acrescenta dados materiais, epigráficos ou documentais que a comprovem.
Grande parte do texto é uma evocação romântica das Lettres Portugaises e do Conde de Chamilly. O autor contrapõe a imagem da freira consumida pela paixão ao facto de ter morrido aos 83 anos, resumido na frase «Não morreu de amor, morreu de velha». Concorda, por fim, com a ida da pedra para um museu, mas apenas pelo seu valor de antiguidade histórica.
O que os recortes permitem afirmar
Os artigos documentam que, em Fevereiro de 1912, foi publicamente denunciada a reutilização, numa propriedade particular de Beja, de uma pedra armoriada e inscrita que os autores identificaram como pertencente ao carneiro dos Alcoforados. Não indicam a morada da casa, as dimensões da peça, a sua proveniência funerária original ou o seu percurso posterior. Também não demonstram que tenha sido transferida para o Museu Arqueológico do Carmo.
A designação «pedra tumular de Soror Mariana» deve, por isso, ser entendida como atribuição jornalística de 1912, não como identificação epigráfica comprovada.
Entidades mencionadas
Pessoas
Patrocínio Ribeiro · Rocha Martins · Marcelino Gorgulho · Francisco da Costa Alcoforado · Mariana Alcoforado · Conde de Chamilly
Locais e objectos
Lápide tumular dos Alcoforados · Convento da Conceição
Temas
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Como citar
Referência (APA): Ribeiro, Patrocínio, & Martins, Rocha (1912, 29 de Fevereiro). A lápide tumular dos Alcoforados / A pedra tumular de Soror Mariana é descoberta numa estrebaria em Beja [Recortes de imprensa]. Arquivo do Museu da Presidência da República, PT/MPR/BPARPD/ATB/CX094/101.