D. Brites, Duquesa de Beja (Bruno Ferreira, O Atual, 11-03-2024)
Artigo de divulgação publicado por ocasião do Dia Internacional da Mulher (8 de Março). Perfil da Infanta D. Beatriz (D. Brites, 1429–1506), Duquesa de Beja, apresentada como a mais poderosa figura política feminina do Portugal do séc. XV. Baseia-se principalmente em Casteleiro de Goes (2021) e Maria Odete Sequeira Martins (2020).
Principais dados históricos
D. Beatriz (D. Brites), Duquesa de Viseu e de Beja (1429–1506)
- Família: filha do infante D. João de Avis (filho de D. João I e Filipa de Lencastre) — bisneta de D. Nuno Álvares Pereira e bisneta de João de Gante. Casou com o primo D. Fernando, 1.º Duque de Beja.
- Filhos: Diogo de Lencastre (assassinado por D. João II em 1484), D. Manuel (futuro rei), D. Leonor (futura rainha, esposa de D. João II).
- Governadora da Ordem de Cristo.
- Morreu com 76/77 anos em 1506, sepultada junto ao marido no Convento da Conceição.1
O Tratado de Alcáçovas (4 de Setembro de 1479): D. Brites foi a representante de Portugal no encontro que decidiu os termos da paz ibérica. Em Março de 1479, acompanhada de limitado séquito, cruzou a fronteira para o castelo de Alcântara onde aguardava a sobrinha Isabel (futura Rainha Católica). Após sete dias de negociações, acordaram:
- Ratificação da paz; Portugal renuncia a títulos de Leão e Castela
- D. Joana (a Beltraneja) renuncia a títulos reais (salvo casamento com príncipe castelhano)
- Restituição de cidades e prisioneiros
- Castela fica com as Canárias; Portugal fica com Açores, Madeira, Cabo Verde e costa da Guiné a sul do paralelo das Canárias Assinado oficialmente em Alcáçovas a 4 de Setembro de 1479 — as “Terçarias de Moura” resolveram a contenda dinástica.1
Convento da Conceição: D. Brites e o marido D. Fernando fundaram o Convento da Conceição, com obras iniciadas por volta de 1459 e concluídas em 1503. Só sobreviveram a Igreja, o claustro, a sala do capítulo e divisões adjacentes (hoje Museu Rainha D. Leonor).1
Riqueza e vida no Paço de Beja: O artigo cita a descrição da habitação de D. Brites em Beja (via Maria Odete Sequeira Martins): alcatifas castelhanas e do Levante, azulejos valencianos, 12 tapeçarias de Londres e Arras, 79 arcas, cofres em âmbar marchetados de marfim, joias de safiras, rubis, pérolas e diamantes.1
Fontes citadas:
- Casteleiro de Goes, Infanta D. Beatriz, Duquesa de Beja 1429–1506 (CMB, 2021)
- Anastásia & Abílio Salgado, O Testamento da Infanta D. Beatriz (Assoc. Municípios Distrito de Beja, 1988)
- Maria Odete Sequeira Martins, A Duquesa de Beja — Poder e Sociedade (Edições Colibri, 2020)
- Alfredo Saramago, Convento de Soror Mariana Alcoforado (Colares Editora, 1994)
Como citar
Ferreira, B. (2024, 11 de Março). D. Brites, Duquesa de Beja. A Mulher. O Atual — Informação de Verdade. https://oatual.pt [artigo de divulgação]
Fontes relacionadas
- Infanta D. Beatriz — o personagem
- Convento da Conceição — fundação de D. Brites e D. Fernando
- Rainha D. Leonor — filha de D. Brites
- Museu Rainha D. Leonor — instalado no antigo Convento