Igreja de Nossa Senhora ao Pé da Cruz

Igreja extramuros de Beja, no antigo arrabalde das Alcaçarias, sede da Real Irmandade do Senhor de ao Pé da Cruz (que possuiu também hospital — o Hospital de Santa Vera Cruz). Edifício de austeridade chã no exterior, interior barroco de rara riqueza: azulejos seiscentistas, talha dourada e pinturas murais. Classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1963.1

Cronologia

  • 1488 — fundação do primitivo templo por Manuel Raposo de Brito; abside gótica detectada no exterior21
  • 1499 — documentada uma capéla no local1
  • 1669 — reconstrução e provável sagração (data inscrita na fachada)1
  • 1672 — pinturas murais a folha de ouro do coro-alto, custeadas pelas esmolas1
  • 1677 — pinturas a óleo da nave por Francisco Nunes Varela (eborense), Paixão de Cristo21
  • 1696/97 — data da porta principal (cronograma em ferro forjado)1
  • 1699 — retábulo-mor concluído (segundo Túlio Espanca)1
  • 1703, 25 Out — contrato notarial com Manuel João da Fonseca para execução do retábulo-mor1
  • 1859 — pinturas da abóbada da capela-mor1
  • Fins séc. XIX — D. Carlos aceita ser Juiz Honorário; irmandade torna-se Régia Confraria1
  • 1921 — demolição pela Câmara do Calvário seiscentista fronteiro (planta circular, cúpula com lanternim)1
  • 1963 — classificação IIP; intervenção da DGEMN1
  • 2012 — requalificação (QREN); descoberta de pinturas murais ocultas por tela da Última Ceia1

Arquitectura

Fachada: cunhais de cantaria de mármore de Trigaches, pináculos piramidais, frontão com brasão real no tímpano; cronogramas de 1669 e 1696.

Interior — nave: azulejos de tapete seiscentista de maçarocas (2×2, azul e amarelo) em toda a nave, concebidos para integrar as pinturas a óleo de Francisco Nunes Varela; gradeamento de ferro forjado “uma das melhores obras em ferro forjado da cidade”.2

Retábulo-mor: obra de Manuel João da Fonseca, um dos maiores entalhadores da época (fez também o retábulo da Capéla Real); planta côncava, colunas pseudo-salomónicas, trono de cinco registos; na mesa de altar, túmulo do Senhor Morto com quatro anjos. Dois retábulos laterais na própria capela-mor — situação rara.1

Sala da Irmandade: pinturas murais de perspectiva arquitectónica na abóbada (medalhões com a Ressurreição de Lázaro e Cristo e a Samaritana) — um dos raros exemplos no Alentejo.1

Fontes

Tags

igreja barroco azulejos talha idade-moderna beja

Footnotes

  1. Igreja de Nossa Senhora do Pé da Cruz (Isabel Mendonça e Ricardo Pereira, 1993-2002) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

  2. A Igreja de Nossa Senhora ao Pé da Cruz (Leonel Borrela, 1995) 2 3