Real Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Museu Rainha Dona Leonor
Ficha de inventário do SIPA IPA.00006513, elaborada por Isabel Mendonça em 1993, com actualização de Maria Fernandes em 1997. Documenta a arquitectura gótica-manuelina-revivalista do Mosteiro de Clarissas de Beja (séc. XV–19) e a sua conversão em Museu Regional de Beja desde 1927.
Localização e Protecção
Acesso: Largo de Nossa Senhora da Conceição e Largo dos Duques de Beja. Protecção: Monumento Nacional (Decreto n.º 8 217, DG 1.ª série, n.º 130, 29 Jun 1922); ZEP (Portaria, DG 2.ª série, n.º 175, 25 Jul 1956). Propriedade: pública estatal; afectação à Assembleia Distrital de Beja (cessão 7 Abr 1954).
Arquitectura
Igreja conventual de planta rectangular longitudinal com telhado simples:
Fachada NE. (principal): portal de vão em arco quebrado com arquivoltas; remate em arco conopial em alfiz flanqueado por pilastras e pináculos cogulhados; armas dos fundadores nas enjuntas (quadrilóbulos); 4 janelas de arco quebrado na nave; platibanda rendilhada com pináculos torsos e 2 esculturas de vulto.
Fachada NO.: nártex com arco quebrado; portal manuelino (transferido) com armas de D. Manuel no tímpano; ajimez.
Interior: nave única com coro-alto sobre abóbada rebaixada; abóbada de berço de arco quebrado na nave; abóbada estrelada de dois tramos com nervuras de diferentes perfis na capela-mor (escondida pela talha dourada). Talha dourada barroca revestindo a capela-mor (incluindo abóbada e arco triunfal) e os alçados da nave até à cornija; retábulo-mor em estilo nacional com trono. Púlpito em talha dourada com guarda-voz (1740). Azulejos recortados azuis e brancos atribuídos a Policarpo de Oliveira Bernardes (c. 1741).
Claustro
4 alas com coberturas variadas (abóbadas de berço e de cruzaria de ogivas); azulejos de padrão policromo (1.ª, 2.ª e 4.ª quadras — seiscentistas; 3.ª quadra — setecentista). 3 capelas: S. João Baptista (1614), S. Francisco e Nossa Senhora do Desterro.
Sala do Capítulo
Planta quadrangular, 2 naves sobre coluna dórica, abóbadas de penetrações; pinturas murais (1727); bancada com azulejos sevilhanos de aresta; arcaz (1696); portal gótico para o claustro.
Arquitecto e Artistas
- Arquitecto: João de Arruda (inspeccionou obras em 1485, após Batalha).
- Entalhador: José Ramalho (1640).
- Azulejos: Policarpo de Oliveira Bernardes (atribuído, c. 1741).
Mariana Alcoforado
O convento está associado a Mariana Alcoforado (n. 1640, m. 1723) e às Lettres Portugaises (1668). A Janela de Mértola — por onde a religiosa avistou o Conde de Chamilly — está hoje colocada na fachada SE. do convento, 2.º piso, por cima da ala NE. do claustro. O Conde de Chamilly (Noel Bouton, m. 1715) esteve em Beja como Mestre de Campo em 1663, no contexto da Restauração da Independência.
Cronologia
| Ano | Evento |
|---|---|
| 1453 | Início do Paço dos Infantes (casamento do Infante D. Fernando com D. Brites); D. Afonso V visita-o |
| c. 1459 | Início do convento de Clarissas por iniciativa de D. Fernando e D. Brites (pais de D. Manuel I) |
| 1485 | João de Arruda inspecciona as obras (após Batalha) |
| 1506 | Conclusão do dormitório (depois transformado em refeitório) |
| 1614 | Capela de S. João Baptista no Claustro |
| 1640 | Nasce Mariana Alcoforado; José Ramalho entalhador |
| 1663 | Conde de Chamilly (Noel Bouton) em Beja como Mestre de Campo |
| 1668 | Lettres Portugaises (tradução francesa) circulam |
| 1696 | Trono do altar-mor e arcaz da Sala do Capítulo |
| 1703 | Compra e integração do Paço dos Infantes no edifício conventual |
| 1715 | Morte de Noel Bouton (Marechal de França) |
| 1723 | Morte de Sóror Mariana Alcoforado (83 anos); chegou a ser escrivã e vigária |
| 1727 | Pinturas murais da Sala do Capítulo |
| 1740 | Portal da Igreja |
| c. 1741 | Azulejos de Policarpo de Oliveira Bernardes (atribuídos) |
| 1895 | Demolição do Paço dos Infantes e parte do convento; reconstrução do edifício actual |
| 1927 | Instalação do Museu Regional de Beja |
| 2016 | Protocolo de colaboração CIMBAL / DRCAlentejo / Univ. Coimbra / Univ. Évora / Fundação Millennium BCP |
Intervenções DGEMN
1958–1999: diversas obras de reconstrução de coberturas, reassentamento de azulejos, consolidação de talha, reparação de fachadas.
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