Mais um Fortim no Rio Guadiana (Leonel Borrela, 2000)

Borrela retorna à coluna depois de uma pausa desde Agosto de 1999, motivado por um novo achado que complementa a série dos fortins da Guerra da Restauração.


Contexto: os fortins do Guadiana

Em 1996, Borrela identificou 6 fortins em forma de barco na margem direita do Rio Guadiana. Em Maio de 1998 organizou uma exposição para o Regimento de Infantaria 3 de Beja intitulada “Beja seiscentista, os fortins do Guadiana na Restauração de Portugal e Mariana Alcoforado”. O coronel Adelino Matos Coelho (autor da primeira obra sobre o Castelo de Noudar) entusiasmou-se e passou a visitar e sinalizar os fortins na carta militar.


O novo achado: o “Pisão”

Numa visita recente ao Guadiana, o coronel Matos Coelho identificou, com o apoio da carta militar, um edifício arruinado na margem direita, a cerca de 1 km para montante da foz da Ribeira de Terges e do Moinho do Escalda, situado na axial da corrente — tal como os fortins. A toponímia designa-o “Pisão” (moinho artesanal para lavar e trabalhar tecidos de lã acabados de sair dos teares).

Descrição estrutural: a construção assemelha-se muito a um fortim (planta no eixo da corrente, com “proa” orientada para montante), mas com diferenças significativas: a parede virada para o rio é totalmente direita e vertical (nos fortins é curva), com várias aberturas quadrangulares em três ordens horizontais — necessárias à roda hidráulica. A parede da “popa” (ligeiramente curva) está separada 90 cm da parede lateral direita para escoamento da água que impulsionava a roda por baixo. A construção é solidária com o muro de uma represa/açude extenso e bem construído (maiores blocos observados no Guadiana).

Diferenças face aos fortins: ausência do “ressalto” interior na parte superior das paredes (apoio para adarve de madeira) — os buracos superiores aqui servem de suporte a traves de telhado. Pavimento em diferentes níveis (2-3 degraus descendo desde a porta principal até um patamar). A “proa” não tem curvatura simétrica clara.

Conclusão de Borrela: a hipótese de reutilização de um antigo fortim como pisão é “muito problemática” dado que o interior do edifício não tem as características defensivas dos fortins. Tratou-se provavelmente de um pisão desde a origem.


Entidades Mencionadas

Fortins do Rio Guadiana (Leonel Borrela, 1996) · Adelino Matos Coelho · Rio Guadiana · Castelo de Noudar · Ribeira de Terges

Fontes

Borrela, L. (2000, 14 de Abril). Mais um fortim no rio Guadiana. Diário do Alentejo — Iconografia Pacense.