Janelas da Cidade — Série 1996–1998 (Leonel Borrela)

Janelas da cidade (1) — 8 Mar 1996

Nota: o PDF está arquivado na pasta 1998 mas o jornal é do DA ano LXIV nº 724, 8–14 Mar 1996.

Introdução à série sobre janelas de Beja por época:

  • Romano: fragmentos marmóreos de janelas da Villa dos Pisões — os mais antigos da região.
  • Visigótico: colunelo de janela geminada, reconstituída no Núcleo Visigótico de Santo Amaro.
  • Al-Andaluz (ou próximo): vão no 2.º piso da Rua da Mouraria nº 24, com vista para pátio interior — pequena janela ou portal em tijolo, com jambas direitas e arco quebrado levemente biselado. Possivelmente estrutura in situ.
  • Terracota: colecção do Museu Regional de Beja — dezenas de peças (aduelas, cachorros, cornijas, frisos, degraus para escadaria em caracol…) testemunho de arte que sobreviveu quase até aos nossos dias.
  • Alcáçova: no interior da praça d’armas, uma das melhores janelas geminadas da cidade, com arcos de ferradura em terracota — obra quatrocentista.

Janelas com história mencionadas: rótulas da Rua do Ulmo; janela geminada de padieira direita da antiga Câmara Municipal defronte de Santa Maria; janela de Mértola (de Soror Mariana Alcoforado).

Artigo seguinte prometia: janelas do Palácio dos Infantes, dos Corvos, da Rua dos Mercadores, da Alcáçova e do Convento de S. Francisco.

Uma janela gótica geminada (3 Abr 1998)

Há cerca de nove anos (c. 1989) foram encontrados, durante obras de remodelação do Rua Dr. Aresta Branco nº 21, vários fragmentos marmóreos no enchimento de uma parede interior. O conjunto ficou resguardado e em parte exposto na mesma casa (cf. “Iconografia Pacense”, DA 15 Set 1995).

Remate de janela geminada gótica: ~1 m de largura, mármore de Trigaches ou S. Brissos, esculpido num único bloco. Possivelmente pertencia a uma ábside polifacetada de templo medieval ou a um braço de transepto. Ainda alguma rudeza de execução mas bem proporcionada. Datação: séc. XIV — mais refinada que as janelas da ábside de Igreja de Santa Maria da Feira (final séc. XIII), menos académica que a da capéla dos túmulos do Convento de S. Francisco (final séc. XIV ou início XV). Reconstituída por Borrela.

Outros fragmentos encontrados no mesmo local:

  • Restos de pilastra e cancela(?) visigóticos
  • Parte do ábaco ornamentado de um capitel composito romano (da voluta para cima) — “uma das ordens arquitectónicas de criação romana e de maior expressão volumétrica”

Borrela anuncia que próximas crónicas se dedicarão aos maiores capitéis coríntios e compositos pacenses.

Entidades Mencionadas

Museu Regional de Beja · Núcleo Visigótico de Santo Amaro · A Janela de Mértola (Leonel Borrela) · Igreja de Santa Maria da Feira · Convento de S. Francisco de Beja · Alcáçova (Beja)

Fontes

Borrela, L. (1996, Março 8). Janelas da cidade (1). Diário do Alentejo — Iconografia Pacense. Borrela, L. (1998, Abril 3). Uma janela gótica geminada. Diário do Alentejo — Iconografia Pacense.