Um Milagre em S. Pedro de Pomares (Leonel Borrela, 2006)
Borrela, L. (2006, Maio). Um milagre em S. Pedro de Pomares. Boletim Informativo da Federação Alentejana de Caçadores, n.º 1.
Conteúdo
Artigo publicado no boletim da Federação Alentejana de Caçadores (não no Diário do Alentejo). Narra o milagre de D. Dinis em novembro de 1294 na área de S. Pedro de Pomares (Baleizão, Beja) e descreve a Ermida de S. Pedro de Pomares.
O Milagre (Novembro de 1294)
D. Dinis andava numa montaria perto de S. Pedro de Pomares (lugar de Belmonte, margem esquerda da ribeira de S. Pedro que desagua na ribeira de Odearça, afluente do Guadiana; confins da freguesia de Baleizão, adjacente às de Pedrógão e Selmes, concelho da Vidigueira). O cavalo do rei assustou-se tão violentamente que o projectou para o solo. O milagre (atribuído à intercessão de S. Luís de Tolosa) salvou o rei — Borrela relaciona-o com a lenda da Rainha Santa Isabel e o milagre das Rosas.
Em honra do milagre, D. Dinis mandou construir uma capela dedicada a S. Luís na igreja do Convento de S. Francisco de Beja (actual Pousada). Dessa capela nada resta, pois a igreja foi totalmente reformada no século XVIII.
Ermida de S. Pedro de Pomares
- Conserva elementos arquitectónicos dos períodos visigótico e dos séculos XIII e XIV
- Capitéis do nártex: peculiares, com cabeças invertidas e barbadas
- Volumetria actual aponta para reformas dos séculos XVI e XVII (feição maneirista)
- Data de 1716 numa sepultura dos últimos benfeitores do templo (família Tomazes, benfeitores do morgadio da herdade da Rabadoa, séc. XVIII)
- Interior: quadro a óleo sobre tela — “S. Luís salvando o rei D. Dinis do ataque do urso” (feitura seiscentista ou setecentista)
- Casas de apoio a romeiros no lado sul e sudoeste
As “patas gravadas” e os ursos
As marcas na rocha da nascente da Fonte de S. Luís, próximas da ermida, atribuídas ao cavalo de D. Dinis, são na verdade marcas do Neolítico. Os ursos extinguiram-se em Portugal pelos séculos XVII-XVIII; avistamentos posteriores devem-se a migrações temporárias do norte de Espanha.
Contexto arqueológico
A área tem estações arqueológicas de vários períodos (pré-histórico, romano e paleocristão), ainda por escavar. Montes e quintas actuais (Cegonha, S. Pedro, Rabadoa, Lamarim, Paço Inchado) assentam sobre vestígios islâmicos e do início do domínio português.
Ligações
- Ermida de S. Pedro de Pomares
- D. Dinis
- Convento de S. Francisco
- Rainha Santa Isabel