Respigos do Convento de Santa Clara (Leonel Borrela, 1997)
Contexto: os conventos extramuros extintos em 1834
O decreto constitucional de Maio de 1834 extinguiu as ordens religiosas de clausura e apropriou os seus bens. Em Beja, os primeiros a sofrer foram o Convento do Carmo (homens carmelitas, extramuros, Tapada de S. Miguel / actual Bairro da Esperança) e o Convento de Santa Clara (mulheres franciscanas, extramuros) — ambos demolidos integralmente. Nenhuma fotografia do Convento de Santa Clara é conhecida; a foto mais antiga de Beja (1868) mostra a ermida de S. Pedro, já demolida.
Convento de Santa Clara
Localização: margem direita da antiga estrada para Lisboa, saída de Beja. Construído sobre local com vestígios romanos (cf. Félix Caetano da Silva, Antiguidades da Cidade de Beja, séc. XVIII, ms. Arquivo Municipal, anotado por Abel Viana) — tal como o Convento de S. Francisco se edificou sobre estruturas romanas e necrópole.
Fundação: 1340 — D. Afonso IV e D. Beatriz lançaram a primeira pedra. Vereadores: Domingo Domingues, Gonçalo Pires, João de Beja; procurador do concelho: João Rodrigues.
Estrutura: claustro com galerias abobadadas e porticadas, pátio interior, cisterna, capítulo, dormitórios (a partir do séc. XVII com autorização para construir moradias individuais — 22, algumas de dois andares), portaria, refeitório.
Igreja conventual (única nave): ~27 m de comprimento × 8,6 m de largura; 4 altares (2 no cruzeiro); abóbada de cruzaria estrelada assente em “pedras escuras” (possivelmente mísulas de mármore escuro de Trigaches — tipo tardo-gótico, semelhantes às do Museu Regional na Ermida de S. Sebastião); magnífica capela-mor mandada fazer por madre Sezinanda Baptista. Revestimento azulejar em todo o edifício.
Famílias com capelas e sepulturas: Diogo Lopes Bocarro e Pais Viegas.
Azulejos do séc. XVII do Convento de Santa Clara foram transferidos para a capela-mor da Ermida de Santo André (ficava próxima e orientada para a mesma estrada de Lisboa).
Fontes principais usadas por Borrela:
- Carlos Augusto Ponces Canelas, “História dos Conventos de Beja” (Arquivo de Beja, vol. I, pp. 227-249, 1965)
- Ms. do padre José Inácio de Mira (1874, Arquivo Municipal de Beja) — sobre o chafariz de Santa Clara
Achados após a demolição (segunda metade do séc. XIX)
No terreno do antigo convento encontrou-se:
- Túmulo “suevo-visigótico” com espada de punho incrustado de ouro → actualmente exposta no Núcleo Visigótico de Santo Amaro
- Fíbulas de ouro → levadas para Lisboa, expostas no Museu de Belém
(Texto do artigo truncado na parte final — não se recuperou o que se passou na noite de 26 de Maio.)
Entidades Mencionadas
Convento de Santa Clara · Ermida de Santo André · Núcleo Visigótico do Museu Regional de Beja · Abel Viana · Félix Caetano da Silva · D. Afonso IV · D. Beatriz · madre Sezinanda Baptista
Fontes
Borrela, L. (1997, 21 de Março). Respigos do Convento de Santa Clara. Diário do Alentejo — Iconografia Pacense. Canelas, C. A. P. (1965). História dos Conventos de Beja. Arquivo de Beja, I, 227-249.