Castelo de Beja — XIV, Rua do Captivo (Leonel Borrela, 1996)
(Artigo XIV da série Castelo de Beja. PDF arquivado como “1995”; publicado a 16 de Agosto de 1996.)
Conteúdo
Rua do Captivo / Rua Capitão Francisco de Sousa
A actual Rua Capitão Francisco de Sousa (do Jardim do Bacalhau até à Rua das Portas de Mértola) chamava-se “Rua do Captivo” numa planta de Beja do final do séc. XIX.
Borrela questiona a origem do nome e propõe que a rua se chamava anteriormente “Rua do Paço do Bispo”: a confraria de S. Sisenando possuía casas na rua, e o primeiro bispo de Beja após a Reconquista, D. Frei do Cenáculo Vilas Boas, residiu 25 anos em Beja (1777–1802) antes de ser nomeado arcebispo de Évora — possivelmente nessa rua enquanto não estavam asseguradas as condições no Colégio dos Jesuítas (actual GNR).
Quando Évora foi tomada e saqueada pelo general francês Loison (“O Maneta”), Cenáculo foi trazido à força para Beja, onde uma Junta Patriótica “bastante o maltratou”. Daí a denominação “o Captivo” ficou ligada àquela rua, lembrando a humilhação do bispo que tanto dera à cidade.
Torres da Rua do Sembrano
A Rua do Sembrano (intramuros, a partir da Rua do Buraco) acompanha cinco torres — falta uma outra, demolida em tempos recuados, que defendia a porta romana de Vipasca.
Torre do ex-Parque Vista Alegre: obras em curso (controversas mas necessárias) reservam espaço para fruição lúdica da muralha e barbacã. A torre apresenta uma faixa/imposta do período visigótico com decoração fitomorfa estilizada característica.
Imagem publicada: fotografia “Beja, arrabalde das Portas de Mértola, 1890” (cabeça de touro fragmentada na 2.ª torre).
Entidades Mencionadas
Castelo de Beja · D. Frei do Cenáculo Vilas Boas · Rua do Sembrano · Porta Romana de Vipasca · Parque Vista Alegre · Igreja de S. João Baptista · Loison (“O Maneta”) · Confraria de S. Sisenando
Fontes
Borrela, L. (1996, Agosto 16). Castelo de Beja — XIV: Ao longo da Rua do Captivo. Diário do Alentejo — Iconografia Pacense.