Mesolítico no Território de Beja

O Mesolítico (aprox. 6500–5000 a.C. no sul de Portugal) é o período dos últimos caçadores-recolectores, imediatamente antes da chegada da agricultura neolítica. No território de Beja, este período era praticamente desconhecido — sem vestígios funerários claros — até 2014.

Estado do conhecimento antes de 2014

O conhecimento do Mesolítico português assentava quase exclusivamente nos grandes cemitérios dos concheiros do Tejo (Muge) e do Sado, onde foram exumados centenas de indivíduos com dieta rica em recursos marinhos e estuarinos. O interior do Alentejo aparecia como território vazio ou sem vestígios funerários deste período.1

A Descoberta de Fonte dos Cântaros 5

Em 2014, durante obras de irrigação perto de Beja, foi descoberto Fonte dos Cântaros 5 — o primeiro e único enterramento mesolítico conhecido no interior do Alentejo. O indivíduo (homem adulto, >30 anos, datado de 6502–6416 a.C.) tinha dieta inteiramente terrestre e isótopos de estrôncio confirmam que era local.1

Esta descoberta demonstra que as comunidades mesolíticas do interior do Alentejo:

  • Habitavam o território de forma estável e permanente (não visitantes ocasionais)
  • Desenvolveram uma especialização económica totalmente distinta das comunidades costeiras — caça de herbívoros (veado, auroque) em vez de pesca e marisquismo
  • Tinham práticas funerárias diferentes (fossa individual vs. cemitérios colectivos dos concheiros)

Fontes

Tags

pre-historico mesolitico

Footnotes

  1. Fonte dos Cântaros 5 — An Inland Mesolithic Burial in Southern Portugal (Linda Melo et al., 2026) 2