Aviação da Segunda Guerra Mundial no Baixo Alentejo
Apesar da neutralidade de Salazar face à II Guerra Mundial, os céus do Baixo Alentejo foram palco de vários incidentes com aviação de ambos os lados beligerantes, entre 1941 e 1942. Portugal não possuía meios nem vontade firme de impor o respeito pelo seu espaço aéreo.
Incidentes documentados
1. FW 200 Condor em Santa Marta, Moura (9 de Fevereiro de 1941)
Focke-Wulf 200 da Luftwaffe em missão de ataque a comboio naval inglês a Oeste de Lisboa; atingido pela Defesa Antiaérea britânica, tentou rumar a Sevilha mas, com dois motores avariados e sem comunicação rádio, pensou estar em solo espanhol e aterrou num olival da Herdade de Santa Marta (Moura). Os seis tripulantes queimaram o aparelho, vestiram roupas civis e fugiram. Detidos no dia seguinte pelos Legionários de Safara; ficaram 10–12 dias no Grande Hotel de Moura (antigo convento da Ordem Hospitaleira de São João de Deus, séc. XVII) sob vigilância pouco comprometida. Fugiram por volta de 21 de Fevereiro, organizados pelo Adido do Ar alemão, General Eckard Krahmer. O aparelho foi desarmado pelas OGMA.1
2. FW 200 Condor na Amareleja (15 de Junho de 1941)
Segundo Condor envolvido num ataque a um comboio naval a Oeste de Gibraltar; explodiu em pleno voo ao não conseguir libertar-se de uma bomba na área da Herdade da Tapada (Amareleja, Moura). Tripulação (todos mortos): Erich Westerman, Fritz Grotstollen, Erwin Hildenbrand, Gunther Kunert, Walter Reiser, Gerhard Singer. Os Bombeiros Voluntários de Beja — única corporação do Distrito — recolheram os corpos. O III Reich enviou uma salva de prata à corporação como reconhecimento humanitário.2
3. Avião aliado inglês em Serpa (1942)
Incidente mencionado mas não detalhado nos artigos: um avião aliado inglês foi obrigado a aterrar nos arredores de Serpa em 1942.1
Contexto e testemunhos
A importante localização geoestratégica de Portugal — entre o norte da Europa e o norte de África, próximo de rotas marítimas — tornava inevitável a violação do espaço aéreo. O capitão José Rosas (Batalhão n.º 3, 2.ª Companhia da GNR de Beja) documentou relatos de combates aéreos noturnos sobre a região. Telegramas da GNR de Reguengos de Monsaraz, Cuba, Mombeja, Aljustrel, Castro Verde, Mértola e Beja registaram passagens de “aviões desconhecidos” quase simultaneamente na madrugada de 15 de Junho de 1941.2
Fontes
- O Terceiro Reich no Baixo Alentejo (Bruno Ferreira, O Atual, 2023-2024)1
- Hitler e os Bombeiros Voluntários de Beja (Bruno Ferreira, O Atual, 2023-2024)2
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