O Convento do Carmo de Beja (Leonel Borrela, 1995)

Série de três crónicas da Iconografia Pacense (Jun–Jul 1995 e c. 1995) sobre a história e arquitectura do Convento do Carmo e da Igreja do Carmo.

Resumo

Artigo I — O primeiro convento (Tapada de S. Miguel)

  • Os Carmelitas Calçados tiveram o seu primeiro convento de Beja na Tapada de S. Miguel (zona elevada, actual Bairro da Esperança / “Carmo Velho”), onde no séc. XV existia um eremitério com o mesmo nome.
  • Casa bastante rica, de vastas propriedades, a nascente da cidade; utilizava possivelmente galerias subterrâneas e minas de água romanas que ainda brotam na horta de Vale do Bispo — cuja edificação mais antiga assenta provavelmente numa vila romana.

Artigo II — As três sedes do Convento do Carmo

  • Borrela relata uma anedota: para obterem licença de Filipe II para se mudarem para intramuros, os carmelitas alegaram que “entre o convento e a cidade ficava um rio com sete pontes” — mentira, mas eficaz.
  • A mudança para dentro das muralhas foi para a Ermida de Santa Catarina (fundada por Diogo Fernandes de Beja e sua mulher Isabel Borges em 1510, comemorando a segunda tomada de Goa). Licença: 12 Set 1608; início das obras; ficaram inacabadas.
  • Adquiriram então os Paços de Simão Freire (actual Associação de Atletismo de Beja, Rua da Casa Pia). Mudança concedida: 12 Fev 1609; mudaram-se em 1610 em duas procissões solenes vindas do Convento da Esperança, com imagens de N.ª Sra. do Carmo e do Santíssimo Sacramento.
  • Permaneceram nos Paços de Simão Freire c. 20 anos; em 14 Mar 1630 regressaram à Tapada de S. Miguel, “sem pompa”.

Artigo III — A Igreja de Nossa Senhora do Carmo (igreja actual)

  • Em 1736, a Ordem Terceira do Carmo (instalada no Convento do Carmo desde 1699) transferiu a sua sede para a Ermida de Santa Catarina. Decidiu-se construir uma igreja maior; o primeiro edifício foi demolido e substituído pela actual Igreja de Nossa Senhora do Carmo, obra concluída c. 1760.
  • Durante as obras perdeu-se a lápide comemorativa da fundação de Santa Catarina (escrita em iniciais góticas).
  • Após a demolição da Igreja de S. João Baptista, a Igreja do Carmo tornou-se sede da Freguesia de S. João Baptista.
  • Foram reaproveitados materiais da demolição do antigo tanque ameado de Aljustrel.
  • Arquitectura: frontaria a NO; portal único elemento verdadeiramente barroco, com emblema da Ordem Carmelita na empena; torre sineira de 4 olhais; nave única de abóbada plena, sustentada no lado da epístola por três contrafortes — hoje desaparecidos, com prejuízo para a solidez do edifício.

Entidades mencionadas

Locais: Convento do Carmo · Convento da Esperança · Igreja de S. João Baptista · Freguesia de S. João Baptista

Pessoas: Diogo Fernandes de Beja

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Como citar

Borrela, Leonel (1995). O Convento do Carmo de Beja (I, II e III). Diário do Alentejo — Iconografia Pacense, Jun–Jul 1995.

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